Israel intensifica ofensiva contra Teerã e Beirute em quinto dia de guerra no Oriente Médio
Nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, Israel realizou mais uma onda de ataques aéreos de grande escala contra a capital iraniana, Teerã, e contra a capital libanesa, Beirute. As explosões foram ouvidas por toda Teerã nas primeiras horas da manhã, após os militares israelenses anunciarem operações contra alvos do regime dos aiatolás. Delegacias de polícia e quartéis-generais da Guarda Revolucionária Islâmica nas regiões curdas do noroeste do Irã foram destruídos, conforme informado pela mídia curda local.
Retaliação iraniana atinge bases americanas no Golfo
Em resposta, as forças iranianas continuaram a lançar mísseis e drones contra bases e instalações americanas em toda a região do Golfo. Os alvos incluíram a embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita e o consulado norte-americano nos Emirados Árabes Unidos. Ataques sem precedentes também atingiram radares militares e sistemas de alerta antecipado no Bahrein e no Catar, representando uma escalada significativa na ofensiva contra a presença militar americana na região.
Autoridades israelenses afirmaram que o Irã lançou uma saraivada de mísseis contra território israelense durante a madrugada, embora a maioria tenha sido interceptada pelos sistemas de defesa, sem registrar vítimas. Paralelamente, o Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã, disparou foguetes e drones contra bases militares e batalhões no norte de Israel, alegando ainda ter atingido três tanques Merkava e abatido um drone israelense no espaço aéreo libanês.
Centenas de mortos e dezenas de milhares de deslocados
O número de mortos no Irã aumentou drasticamente, com estimativas variando entre 800 e 1.500 vidas perdidas nos ataques israelenses. No Líbano, o Ministério da Saúde confirmou que seis pessoas morreram nos bombardeios desta quarta-feira, elevando o total de mortos desde segunda-feira para 46. Pelo menos 58.000 libaneses foram deslocados em todo o país devido aos bombardeios intensos e às ordens de evacuação emitidas por Israel.
As forças israelenses realizaram ataques aéreos de grande alcance em todo o território libanês, com foco particular nos subúrbios do sul de Beirute, reduto tradicional do Hezbollah. Um ataque sem aviso prévio contra um hotel em Hazmieh, a sudeste da capital libanesa e a apenas 700 metros do palácio presidencial, chamou atenção pela proximidade com instalações governamentais sensíveis.
Objetivos de guerra e degradação das defesas iranianas
Autoridades americanas e israelenses expressaram avaliação otimista sobre o andamento da guerra, embora os objetivos finais permaneçam pouco claros, com declarações contraditórias. O governo do presidente Donald Trump mencionou repetidamente como metas uma possível mudança de regime no Irã, a destruição do programa iraniano de mísseis balísticos, a prevenção do desenvolvimento de armas nucleares e o fim do apoio do regime às milícias regionais.
O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos Estados Unidos, revelou que aproximadamente 2.000 alvos no Irã foram atacados nos últimos dias, resultando na degradação severa das defesas aéreas iranianas e na destruição de grandes depósitos de armas e lançadores de mísseis balísticos. As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atingido locais de armazenamento de mísseis e uma instalação subterrânea secreta usada para desenvolver componentes-chave para armas atômicas, embora Teerã sempre tenha mantido que seu programa nuclear tem fins civis.
Sucessão de Khamenei adiciona complexidade ao conflito
O cenário político interno iraniano tornou-se ainda mais complexo com a morte do aiatolá Ali Khamenei e o processo de sucessão em meio à guerra. As cerimônias fúnebres do falecido líder foram adiadas devido à expectativa de participação massiva da população, enquanto os principais clérigos do país se reúnem para nomear um novo líder supremo o mais rápido possível, admitindo que a situação de guerra pode atrasar o processo.
O candidato preferencial parece ser Mojtaba Khamenei, filho de 56 anos do falecido aiatolá e escolha preferida da Guarda Revolucionária Islâmica. Analistas alertam que sua nomeação sinalizaria um papel ainda maior da Guarda Revolucionária no Irã e representaria uma intensificação da resposta autoritária do regime aos apelos internos por reformas. A frustração popular com o governo já havia desencadeado semanas de protestos no início do ano, reprimidos brutalmente com milhares de mortes segundo grupos de direitos humanos.
O presidente Donald Trump afirmou que alguns candidatos à liderança do Irã no pós-guerra foram mortos nos primeiros dias do conflito, enquanto expressou preferência por alguém de dentro do país para chefiar o Irã, em referência ao filho exilado do falecido xá. A combinação de operações militares intensas, retaliações cruzadas e incerteza política cria um cenário extremamente volátil no Oriente Médio, com implicações regionais e globais ainda imprevisíveis.



