Israel reconhece pela primeira vez 70 mil mortes palestinas em Gaza, validando dados do Hamas
Israel admite 70 mil mortes palestinas em Gaza, validando dados do Hamas

Em um anúncio histórico, as Forças Armadas de Israel reconheceram nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, que pelo menos 70 mil palestinos foram mortos durante a guerra na Faixa de Gaza. Esta é a primeira vez que autoridades israelenses admitem publicamente a validade do número estimado pelo Ministério da Saúde do enclave, que é administrado pelo grupo Hamas.

Uma mudança significativa na postura israelense

Durante todo o conflito, que começou em 7 de outubro de 2023 com o ataque terrorista do Hamas a comunidades do sul de Israel e terminou com um cessar-fogo em outubro de 2025, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu consistentemente questionou a confiabilidade dos dados palestinos. As autoridades israelenses frequentemente classificavam as contagens como "errôneas" e criticavam veículos de imprensa que as citavam.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, havia registrado 71.667 mortes ao longo dos dois anos de conflito. Embora administrado pelo grupo militante, entidades internacionais como as Nações Unidas geralmente consideravam os números dessa instituição como confiáveis. Alguns estudos independentes até sugeriam que esses dados poderiam subestimar o verdadeiro balanço de mortes.

A disputa persistente sobre a proporção de civis

Apesar do reconhecimento do número total de mortes, o Exército israelense manteve suas críticas à metodologia do órgão palestino. As autoridades de Tel Aviv argumentam que os números não fazem distinção adequada entre combatentes e civis, e afirmam que a distribuição exata das baixas ainda está sob análise.

Antes do cessar-fogo de outubro de 2025, os militares israelenses afirmaram ter matado pelo menos 22 mil combatentes, além de outros 1.600 terroristas dentro de Israel durante o ataque inicial. De acordo com o IDF (Forças de Defesa de Israel), a proporção de mortes entre combatentes e civis permaneceu relativamente constante ao longo da guerra, com duas a três vidas civis perdidas para cada terrorista.

No entanto, estudos independentes e levantamentos da mídia baseados em dados parciais das próprias forças israelenses estimam uma realidade mais desproporcional. Essas análises sugerem que aproximadamente 70% a 80% das mortes corresponderiam a palestinos comuns, não combatentes.

Alegações de manipulação de dados e escudos humanos

O governo israelense também nega categoricamente que pelo menos 440 palestinos tenham morrido de fome e desnutrição, como afirma o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas. As Forças Armadas alegam que essas estatísticas são manipuladas para incluir indivíduos com problemas graves de saúde preexistentes.

Ao longo do conflito, Israel manteve que buscou minimizar as baixas civis e acusou o Hamas de usar a população de Gaza como escudos humanos. Segundo as alegações israelenses, o grupo militante teria combatido a partir de áreas densamente povoadas, incluindo casas, hospitais, escolas e mesquitas, colocando civis em risco deliberado.

Este reconhecimento histórico ocorre em um contexto onde o número de mortes em conflitos armados globalmente cresceu 37%, impulsionado em grande parte pela guerra em Gaza. A admissão israelense marca uma mudança significativa na narrativa oficial, embora as divergências sobre a natureza das vítimas continuem a alimentar debates internacionais sobre a condução do conflito e suas consequências humanitárias.