Iranianos formam corrente humana em torno de usina termoelétrica em resposta a ameaças dos EUA
Centenas de iranianos atenderam à convocação do regime e se dirigiram à usina termoelétrica de Kazeroon, localizada na província de Fars, no sudoeste do Irã, para formar uma impressionante corrente humana em torno das instalações. O ato ocorreu nesta terça-feira (7), por volta das 11h, e foi registrado em vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars.
Nas imagens, é possível observar uma multidão segurando bandeiras e cartazes em demonstração explícita de apoio ao governo iraniano. A ação faz parte de uma estratégia mais ampla do regime para proteger as infraestruturas energéticas do país em meio a crescentes tensões internacionais.
Convocatória oficial e contexto de tensão
O Irã pediu formalmente que sua população forme correntes humanas para proteger as usinas de energia através de um pronunciamento na televisão estatal. A convocação foi feita por Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, que dirigiu-se especificamente a "todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores".
Rahimi justificou a medida afirmando que "as usinas de energia são nossos ativos e capital nacional". O chamado ocorreu poucas horas antes do prazo final estabelecido pelo presidente norte-americano Donald Trump para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, marcado para 21h no horário de Brasília.
Esta não é a primeira vez que iranianos recorrem a esta forma de protesto e proteção. No passado, já foram registradas correntes humanas em torno de instalações nucleares durante períodos de elevada tensão com o Ocidente.
Ultimato norte-americano e resposta iraniana
A ameaça contra as usinas e pontes do Irã foi explicitamente feita por Trump ao emitir um ultimato de 48 horas no domingo (5). Em pronunciamento na segunda-feira (6), quando detalhou o resgate dos pilotos estadunidenses cujo caça foi abatido no espaço aéreo iraniano, o presidente norte-americano afirmou que "o país inteiro pode ser eliminado em uma noite".
Mais cedo nesta terça-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, respondeu com firmeza às ameaças, declarando que milhões de iranianos estão "prontos para se sacrificar" pela nação. Em publicação na rede social X, Pezeshkian afirmou: "Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã".
Análise do cenário político
A fala de Pezeshkian representa mais um sinal claro de que o regime iraniano não pretende ceder ao ultimato norte-americano. Segundo o presidente, esses 14 milhões de voluntários correspondem a iranianos que responderam positivamente às campanhas da mídia estatal e às mensagens de texto que incentivavam a população a se voluntariar para lutar.
É importante contextualizar que, embora o número pareça expressivo, a população total do Irã ultrapassa os 90 milhões de habitantes. A estratégia de mobilização popular através de correntes humanas e declarações públicas de lealdade reflete uma tentativa do governo de demonstrar unidade nacional frente a pressões externas.
O episódio na usina termoelétrica de Kazeroon ilustra como tensões geopolíticas podem se materializar em ações simbólicas no território nacional, com cidadãos sendo convocados a participar ativamente na defesa de infraestruturas consideradas estratégicas pelo regime.



