Irã reforça arsenal com 1.000 drones e promete 'resposta esmagadora' aos EUA
Irã reforça arsenal com drones e ameaça resposta aos EUA

Irã reforça arsenal com 1.000 drones e promete 'resposta esmagadora' aos EUA

O regime iraniano advertiu nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, que apresentará uma resposta esmagadora caso se concretize a ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos. A declaração ocorre após o presidente americano, Donald Trump, subir o tom ao falar em uma enorme armada a caminho do Oriente Médio e afirmar que o tempo para Teerã fechar um acordo nuclear está se esgotando.

Mobilização de drones estratégicos

O comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, ordenou a mobilização de mil drones estratégicos nos regimentos de combate. Diante das ameaças que enfrentamos, a prioridade do Exército é manter e reforçar nossa vantagem estratégica para dar uma resposta esmagadora a qualquer ataque, disse Hatami, citado pela televisão estatal.

O alerta veio depois do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarar que as forças de seu país estão com o dedo no gatilho. Além disso, Mohammad Akbarzadeh, comandante das forças navais da Guarda Revolucionária, ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, passagem de 50 quilômetros de largura controlada por Irã e Omã, por onde trafegam cerca de 20% do petróleo e gás que abastecem o planeta.

Tensões em alta entre Washington e Teerã

As tensões entre Estados Unidos e Irã aumentaram na última semana, com Trump acusando o regime de recusar-se a cooperar e Teerã afirmando que não negocia sob ameaça. Na quarta-feira, o republicano disse que, sem a negociação, Washington atacará Teerã, como fez em 22 de junho do ano passado ao atingir três instalações nucleares, mas desta vez será muito pior.

Além da pressão militar americana, que inclui dez navios de guerra no Golfo após a chegada à região do porta-aviões USS Abraham Lincoln, o Irã enfrenta a pressão econômica da União Europeia. O bloco examina a inclusão da Guarda Revolucionária em sua lista de organizações terroristas, com as consequentes sanções e congelamento de ativos.

Diplomacia em meio à crise

Apesar do teor incendiário das declarações, os diplomatas continuam trabalhando. Aragachi terá reuniões na sexta-feira na Turquia, que pretende assumir um papel de mediação para acalmar a tensão entre Teerã e Washington e evitar um ataque americano.

Em uma entrevista à CNN publicada nesta quinta-feira pela agência iraniana IRNA, o presidente do Parlamento da nação persa, Mohammad Bagher Ghalibaf, se declarou aberto a um diálogo real e no âmbito das regras internacionais com os Estados Unidos. O que vimos até agora é que o presidente americano tenta impor sua visão. E, se não é aceita, quer impor a guerra, prosseguiu.

Contexto da crise

A crise entre Estados Unidos e Irã, nutrida ao longo do ano passado com uma guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares da nação persa, aumentou de tom diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano.

As manifestações, motivadas inicialmente pelo derretimento da moeda local, o rial, e a crise inflacionária subsequente, cresceram e passaram a pedir o fim da ditadura e a deposição do líder supremo Ali Khamenei. No auge dos atos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes e chegou a dizer que a ajuda estava a caminho.

No entanto, as tensões enfraqueceram após as autoridades iranianas desistirem das execuções de manifestantes presos que estariam sendo planejadas. Na semana passada, o presidente americano disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados por precaução e que acompanhava de perto a situação no país. Vamos ver o que acontece, afirmou à época.