Irã mobiliza população em correntes humanas para proteger infraestruturas estratégicas
Nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, iranianos formaram correntes humanas ao redor de usinas de energia e outras infraestruturas estratégicas em todo o país, em uma mobilização massiva que ocorre a poucas horas do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a reabertura do Estreito de Ormuz. A ação, incentivada pelo governo iraniano, representa uma resposta direta às ameaças de ataques coordenados contra instalações civis, elevando a tensão internacional a níveis críticos.
Convocatória governamental e mobilização popular
O vice-ministro de Esportes do Irã, Alireza Rahimi, convocou publicamente jovens, atletas, artistas e estudantes para se reunirem em torno das usinas, classificando essas estruturas como "riqueza nacional" que precisa ser protegida. Através de mensagens divulgadas nas redes sociais e na televisão estatal, o governo pediu à população que ajudasse a salvaguardar essas instalações vitais. Na termelétrica de Kazeroon, localizada na província de Fars, no sudoeste do país, centenas de pessoas atenderam ao chamado, formando uma corrente humana ao redor da entrada do local enquanto exibiam bandeiras e cartazes em apoio ao governo.
O movimento rapidamente se espalhou por outras cidades iranianas. Em Ilam, no oeste do país, homens, mulheres e crianças se mobilizaram ao redor de usinas de energia, segurando bandeiras nacionais e cartazes com imagens de líderes iranianos. Registros similares foram feitos em Kazerun e Tabriz, onde manifestantes se reuniram nas proximidades de instalações energéticas, criando barreiras simbólicas contra possíveis agressões externas.
Ultimato de Trump e ameaças de ataques
Em meio à mobilização iraniana, Donald Trump intensificou sua retórica nas redes sociais, afirmando que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso o Irã não cumpra as exigências estadunidenses. O presidente americano já havia declarado anteriormente que o país poderia ser "eliminado em uma única noite" através de ataques coordenados a pontes e usinas elétricas, sugerindo ainda a possibilidade de mudanças políticas em Teerã. O ultimato de Washington exige a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.
Trump estabeleceu um prazo de 48 horas para que o Irã recuasse do bloqueio, com o término marcado para a noite desta terça-feira, no horário de Brasília. Caso a exigência não seja atendida, o presidente prometeu lançar uma ofensiva capaz de comprometer severamente a infraestrutura energética iraniana, atingindo usinas e pontes simultaneamente para paralisar o funcionamento do país.
Resposta iraniana e preocupações internacionais
Do lado iraniano, o discurso é de resistência e determinação. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que milhões de cidadãos estão dispostos a defender o território nacional, declarando: "Mais de 14 milhões de iranianos já declararam estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também estou disposto a isso". Esta postura reflete a gravidade da crise e a disposição do governo em enfrentar as ameaças externas.
Organizações não governamentais, como a Hrana e o Crescente Vermelho Iraniano, alertaram que ataques a infraestrutura civil constituiriam crimes de guerra, uma acusação que Trump rejeitou publicamente. Na noite de segunda-feira, o líder americano declarou não estar "nem um pouco" preocupado se suas ações configuram tais delitos, argumentando que a verdadeira ameaça seria a suposta pretensão iraniana de fabricar uma arma nuclear.
A mobilização das correntes humanas simboliza não apenas uma defesa física das instalações, mas também uma demonstração de unidade nacional em um momento de extrema pressão internacional. A situação permanece tensa, com o mundo observando atentamente o desenrolar dos eventos nas próximas horas, que podem definir o curso das relações entre Irã e Estados Unidos.



