Irã reafirma controle sobre Estreito de Hormuz em resposta a ameaças de Trump
Horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir o envio da Marinha americana para escoltar petroleiros no estratégico Estreito de Hormuz, a Guarda Revolucionária do Irã respondeu com firmeza, afirmando que o país controla totalmente a passagem marítima por onde circula 20% do petróleo e gás natural do mundo. A declaração foi feita nesta quarta-feira (4) por Mohamad Akbarzadeh, das forças navais da Guarda Revolucionária, segundo a agência de notícias Fars.
Disputa verbal e militarização da região
Em resposta direta às palavras de Trump, o chefe do Comando Central das Forças Armadas dos EUA, Brad Cooper, questionou a presença iraniana na área, afirmando em vídeo publicado no X que não há um único navio iraniano navegando atualmente no golfo Pérsico, estreito de Hormuz ou golfo de Omã. No entanto, o Irã parece confiante em testar a disposição americana, militarizando fortemente a região com 16 bases navais e aéreas, navios, minas e drones.
O estreito, com apenas 33 km de largura no ponto mais próximo entre o Irã e Omã, tornou-se um palco de tensão crescente. Imagens recentes indicam que vários navios iranianos foram atingidos na campanha iniciada pelos EUA e Israel no sábado (28), incluindo a nau capitânia Shahid Bagheri, um navio de transporte adaptado para lançar drones e carregar helicópteros que entrou em operação no ano passado.
Capacidade de interdição e riscos econômicos
Embora os EUA possam ter afundado até 17 navios iranianos, a capacidade de interdição do Irã não está esgotada. O país mantém bases fixas de lançamento de mísseis antinavio com alcance de 300 km, além de lançadores móveis, minas e drones, que representam riscos significativos. A estratégia iraniana de criar dúvida visa forçar os americanos a exporem seus navios de guerra na região.
Os países da região e empresas de transporte estão adotando cautela. O Qatar, maior produtor mundial de gás natural liquefeito, paralisou sua indústria, e o Iraque deve fazer o mesmo com o petróleo. No site de monitoramento marítimo Marine Traffic, não há trânsito comercial na faixa central do estreito, com centenas de navios ancorados nos golfos Pérsico e de Omã.
Custos e implicações globais
A experiência americana no mar Vermelho, onde gastou cerca de US$ 1 bilhão em munição contra drones e mísseis no primeiro ano de conflito com os houthis pró-Irã, mostra os altos custos de tais operações. Teerã sabe que cada dia de impasse em Hormuz favorece seus interesses, elevando os preços do petróleo e ameaçando causar repercussões inflacionárias globais que pressionariam politicamente Trump.
Nesta quarta-feira, o preço referencial do barril de petróleo atingiu US$ 84, o maior desde julho de 2024, embora ainda distante dos US$ 130 de conflitos anteriores. Trump minimizou a agitação no mercado, classificando-a como temporária e natural, aproveitando a abundância global de petróleo.
Forças navais e incidente distante
Antes do conflito, segundo o Balanço Militar 2026 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, o Irã possuía uma Marinha com 70 embarcações costeiras, incluindo 9 corvetas e 18 submarinos diesel-elétricos, além de 133 navios de pequeno porte operados pela Guarda Revolucionária. Em um episódio que demonstra o espraiamento do conflito, um navio de guerra iraniano foi afundado perto da costa do Sri Lanka, a mais de 3.500 km do estreito de Hormuz, com pelo menos 101 desaparecidos e 78 resgatados, segundo o governo local.
O incidente, possivelmente envolvendo um submarino, ainda não está claro, mas reforça a complexidade e os riscos da situação. O mundo aguarda para ver quem piscará primeiro neste jogo de nervos que pode redefinir as dinâmicas geopolíticas e econômicas globais.
