Irã declara exércitos europeus como grupos terroristas em retaliação à UE
O Irã anunciou neste domingo, 1º de fevereiro de 2026, que os exércitos de países europeus serão considerados organizações terroristas. Esta decisão representa uma resposta direta à classificação similar aplicada pela União Europeia à Guarda Revolucionária Islâmica, braço ideológico das forças armadas iranianas, na última quinta-feira, 29 de janeiro.
Contexto da escalada diplomática
A ação da União Europeia foi anunciada pela Alta Representante de Política Externa, Kaja Kallas, após uma onda de protestos no Irã que resultou em milhares de mortes. De acordo com a ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRA), o número de vítimas chega a 6.713, mais que o dobro do balanço oficial, que aponta ao menos 3.117 mortos, a maioria civis.
Durante a sessão parlamentar em que a decisão iraniana foi divulgada, os parlamentares vestiram a farda da Guarda Revolucionária Islâmica e entoaram cânticos de "Morte à América". Ainda não estão claros os impactos imediatos dessa designação recíproca, mas ela marca um novo capítulo nas tensões entre o Irã e o bloco europeu.
Onda de protestos e repressão violenta
As manifestações no Irã começaram no fim de dezembro, impulsionadas pelo colapso da economia nacional e pela desvalorização acentuada do rial, que perdeu quase 50% do valor contra o dólar ao longo de 2025. Com o avanço da repressão governamental, os atos inicialmente focados em questões econômicas se transformaram em um movimento de contestação direta ao regime teocrático, no poder desde 1979.
A repressão foi descrita como brutal por testemunhas e grupos de direitos humanos. Relatos indicam o uso de armas automáticas contra manifestantes desarmados, além de prisões em massa. Milhares de pessoas continuam detidas, com denúncias de tortura, incluindo espancamentos e estupros.
Um rígido bloqueio à internet e a disseminação de fake news dificultaram o acesso à informação tanto dentro quanto fora do país. No último dia 21 de janeiro, o governo iraniano declarou que os protestos haviam sido "completamente sufocados", enquanto as autoridades acusam os organizadores de terrorismo e ligação com governos estrangeiros.
Implicações e cenário futuro
Esta troca de acusações entre o Irã e a União Europeia ocorre em um momento de alta tensão internacional, com o potencial de afetar relações diplomáticas e econômicas. A designação mútua como terroristas pode levar a sanções adicionais e isolamento político, agravando a crise econômica iraniana e a instabilidade regional.
Especialistas alertam que a escalada retórica pode dificultar negociações futuras e aumentar o risco de conflitos indiretos. A comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos, especialmente diante dos graves abusos de direitos humanos reportados durante os protestos.