Irã ataca petroleiro em Dubai com drones baratos que desafiam defesas aéreas
Irã ataca petroleiro em Dubai com drones baratos

Irã ataca petroleiro em Dubai com drones baratos que desafiam defesas aéreas

Poucas horas após mísseis americanos e israelenses atingirem Teerã em 28 de fevereiro, a Guarda Revolucionária do Irã lançou suas primeiras baterias retaliatórias. O país empregou um dispositivo desenvolvido há anos que, em poucos dias, conseguiu penetrar sistemas de defesa aérea de Israel e de estados do Golfo Pérsico.

Drones baratos como trunfo estratégico

Baratos e de fácil produção, os drones iranianos Shahed-136 se consolidaram como um dos principais trunfos do país no conflito. Eles atingem rapidamente alvos como data centers, infraestrutura energética, aeroportos e até bases navais. Em apenas duas semanas de trocas de ataques, mais de mil aeronaves desse tipo já haviam sido lançadas pelo Irã.

A estratégia aposta no volume, não na precisão: grandes enxames são disparados simultaneamente para saturar as defesas aéreas inimigas. Com apenas 3,5 metros de comprimento, esses drones podem ser lançados a partir de estruturas simples montadas em poucas horas.

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Economia de guerra desequilibrada

O preço justifica a quantidade alarmante: um drone Shahed custa entre US$ 20 mil e US$ 50 mil (R$ 100 mil a R$ 261 mil), segundo o Centro para Estudos Internacionais Estratégicos. Em contraste, o disparo de um único míssil de defesa aérea usado pelos EUA e aliados para derrubar esses drones pode custar entre US$ 1,3 milhão e US$ 4 milhões (R$ 6,7 milhões a R$ 20,9 milhões).

Cálculos da agência Reuters mostram que o custo de apenas um míssil de defesa Patriot seria suficiente para financiar ao menos 115 drones de ataque iranianos. Especialistas estimam que isso faz com que os Estados Unidos gastem ao menos US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) por dia para manter a guerra.

Características técnicas que desafiam defesas

Diferentemente dos mísseis balísticos maiores, o Shahed-136 voa lento e em trajetórias irregulares, sendo mais difícil de detectar pelos sistemas convencionais. Cada interceptação costuma exigir dois ou três mísseis defensivos, e quando escapam, o impacto pode ser significativo.

A carga explosiva e a simplicidade do sistema levaram veículos de imprensa internacional a descrevê-lo como uma "AK-47 dos céus", em referência ao fuzil soviético conhecido pelo alto poder de fogo comparado à baixa complexidade de produção.

Produção simples com alcance ampliado

O Shahed-136 é construído de forma bastante simples, com uso inclusive de peças produzidas por impressoras 3D. Muitos são fabricados em instalações de uso duplo, que podem ser rapidamente adaptadas para ampliar a capacidade industrial. Centros de análise estimam que Teerã mantém uma produção diária de até 400 unidades.

O drone tem alcance estimado de até dois mil quilômetros, segundo o fabricante. Mesmo um limite real menor, de mil quilômetros, seria suficiente para atingir qualquer ponto da costa sul do Golfo, pressionando os países da região a recorrer a sistemas defensivos caríssimos.

Uso na Ucrânia redefine conflitos modernos

A estratégia é a mesma empregada pela Rússia em sua invasão à Ucrânia, que usa os mesmos drones Shahed-136 contra instalações civis do país vizinho. Se os drones não "vencem" a guerra para o Irã, eles vêm ganhando tempo para o regime dos aiatolás e redefinindo o conflito.

Seu uso sustenta uma "guerra de atrito", apontam especialistas, voltada a esgotar os recursos do inimigo. Na prática, o Shahed contrariou a expectativa americana de acabar com o conflito de forma rápida e arrastou os países do Golfo para a disputa.

Resposta americana: fabricar drones similares

Diante desse desequilíbrio estratégico, os Estados Unidos buscam equiparar sua estratégia à iraniana. Um dos programas envolvidos é o Low-cost Uncrewed Combat Attack System (Lucas), um drone de ataque unidirecional fabricado nos EUA e "modelado a partir dos Shahed iranianos", conforme declaração do Pentágono.

O comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), almirante Brad Cooper, descreveu o sistema como "indispensável" no conflito com o Irã, revelando que os americanos capturaram um drone iraniano, desmontaram, enviaram para os EUA e agora produzem versões próprias.

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Esse novo paradigma militar, onde atacar ficou barato enquanto defender tornou-se extremamente caro, está redefinindo não apenas o conflito no Golfo, mas a natureza das guerras modernas em múltiplas frentes internacionais.