Irã intensifica ataques a instalações petrolíferas no Golfo e preço do barril supera US$ 100
O Irã lançou nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, uma nova onda de ataques contra as infraestruturas petrolíferas dos países do Golfo, provocando uma alta imediata nos preços do petróleo. A ofensiva ocorre apenas um dia após 32 países anunciarem a liberação histórica de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, numa tentativa de acalmar o mercado.
Conflito regional ameaça abastecimento global de petróleo
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã, adquiriu uma dimensão regional alarmante e ameaça diretamente o abastecimento mundial de petróleo. O tráfego foi paralisado no estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita 20% da produção global de petróleo e gás natural liquefeito.
O barril de Brent do Mar do Norte voltou a superar a cotação de 100 dólares na manhã de quinta-feira, demonstrando a ineficácia temporária da intervenção das grandes potências no mercado. Os países integrantes da Agência Internacional de Energia (AIE), incluindo os Estados Unidos, haviam decidido na quarta-feira liberar a quantidade recorde de reservas estratégicas.
Ataques múltiplos causam danos crescentes
No 13º dia do conflito, os danos às infraestruturas petrolíferas são cada vez maiores:
- O Bahrein denunciou um ataque iraniano contra depósitos de combustíveis em Muharraq, pedindo aos moradores que permanecessem em suas casas devido à fumaça tóxica
- Em Omã, os depósitos de combustíveis do porto de Salalah sofreram um incêndio na quarta-feira após um ataque com drones
- A Arábia Saudita relatou um novo ataque com drones contra o campo de petróleo de Shaybah, no leste do país
- Um ataque contra dois petroleiros perto da costa do Iraque deixou pelo menos uma pessoa morta e várias desaparecidas
- Um porta-contêineres foi atingido por projétil desconhecido na costa dos Emirados Árabes Unidos, provocando incêndio a bordo
Declarações contraditórias e custos crescentes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã está "próximo da derrota" e que a guerra terminaria "em breve", mas os sinais do campo de batalha contradizem essa avaliação otimista. Segundo o jornal The New York Times, a primeira semana de guerra custou aos Estados Unidos mais de 11 bilhões de dólares.
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou sua determinação em seguir com uma longa campanha de desgaste, ameaçando destruir "toda a economia americana e mundial". Ali Fadavi, representante da força de elite iraniana, prometeu continuar bombardeando interesses ocidentais na região para forçar a retirada das forças dos Estados Unidos.
Ampliação dos alvos e retirada de empresas
O Exército iraniano declarou na quarta-feira sua intenção de atacar "os centros econômicos e os bancos" do Golfo. A agência iraniana Tasnim citou empresas de tecnologia americanas como futuros alvos de Teerã, incluindo Amazon, Google, Microsoft, IBM, Oracle e Nvidia.
Em resposta às ameaças, o grupo bancário americano Citi e as consultorias britânicas Deloitte e PwC retiraram funcionários ou fecharam escritórios em Dubai na quarta-feira. A situação permanece extremamente volátil, com o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, anunciando que 172 milhões de barris das reservas estratégicas serão disponibilizados "a partir da próxima semana".
A duração dos confrontos permanece incerta, com Israel afirmando não ter estabelecido "nenhum limite de tempo" para as operações e que ainda dispõe de uma "ampla reserva de alvos". O conflito continua a representar uma grave ameaça à estabilidade energética global e à segurança na região do Oriente Médio.
