Irã ataca bases militares dos EUA no Golfo em retaliação a bombardeios coordenados
Irã ataca bases dos EUA no Golfo após bombardeios em Teerã

Irã lança ataques contra bases militares dos EUA no Golfo após bombardeios em Teerã

A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) iniciou uma série de ataques contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Golfo Pérsico, incluindo instalações nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Jordânia e Kuwait. A ação representa uma retaliação direta aos bombardeios coordenados realizados por Estados Unidos e Israel contra a capital iraniana, Teerã, durante a madrugada de sábado (28), no horário local.

Escalação do conflito e primeira vítima fatal

Segundo informações da agência de notícias iraniana Fars, os ataques ocorrem após semanas de negociações tensas e pressão americana para que o Irã encerrasse seu programa nuclear. Uma pessoa morreu em Abu Dhabi após os Emirados Árabes Unidos interceptarem mísseis iranianos, marcando a primeira vítima fatal deste novo capítulo do conflito.

A IRGC emitiu um comunicado afirmando que "todas as bases, recursos e interesses dos EUA em toda a região são considerados alvos legítimos" para o exército iraniano. A declaração acrescentou que "esta operação continuará implacavelmente até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva", sinalizando uma escalada prolongada das hostilidades.

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Rede militar americana no Oriente Médio sob ataque

Os Estados Unidos mantêm uma extensa presença militar na região, com 19 bases militares próprias no Oriente Médio, além de outras instalações utilizáveis através de alianças com países locais. Esta rede confere a Washington a maior e mais ampla presença militar entre todas as nações do mundo, segundo análises estratégicas.

Um levantamento de 2024 do Congresso dos Estados Unidos detalha a distribuição destas bases:

  • Kuwait: 5 bases
  • Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria: 2 bases cada
  • Egito, Jordânia, Omã, Catar: 1 base cada

Bases estratégicas e capacidades militares

A maior base americana na região é Al Udeid, no Catar, que abriga aproximadamente 10 mil soldados e serve como quartel-general do Centcom, a divisão central do Exército dos EUA responsável pelo Oriente Médio, Egito, Ásia Central e partes do sul da Ásia. Esta base já foi atacada anteriormente pelo Irã em 2025, em retaliação a bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas.

Outras bases significativas incluem:

  1. Camp Arifjan (Kuwait): Centro logístico com cerca de nove mil soldados, que deu suporte a missões no Iraque e Síria.
  2. Al Dhafra (Emirados Árabes Unidos): Base aérea com mais de 50 jatos F-22, drones de ataque e 3,5 mil soldados, focada em inteligência e vigilância.
  3. NSA Bahrain (Bahrein): Base naval estratégica com capacidade para porta-aviões, protegendo o Golfo Pérsico, Mar Vermelho e Oceano Índico.
  4. Muwaffaq Salti (Jordânia): Base aérea com jatos F-15, F-16 e cerca de dois mil soldados, recentemente reforçada na escalada contra o Irã.
  5. Prince Sultan (Arábia Saudita): Base com 2,3 mil tropas, focada em proteger rotas de petróleo e equipada com sistemas de defesa antimísseis.

Contexto geopolítico e temores regionais

Os ataques ocorrem em um momento de elevada tensão diplomática e militar. Em janeiro, países da Península Arábica, incluindo Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, proibiram o governo americano de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar ataques contra o Irã, temendo uma guerra de grandes proporções na região.

O regime do aiatolá Ali Khamenei havia prometido retaliar qualquer ataque ao Irã com bombardeios a bases aéreas americanas na região, ameaça que agora se concretiza. Esta escalada representa um desafio significativo para a estabilidade do Oriente Médio e para as relações internacionais envolvendo potências globais.

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Os Estados Unidos mantêm aproximadamente 170 mil tropas em cerca de 800 instalações militares em dezenas de países ao redor do mundo, com um custo anual superior a US$ 70 bilhões. A presença militar americana no Oriente Médio, no entanto, enfrenta agora seu teste mais direto desde o início das recentes hostilidades com o Irã.