O Hamas anunciou nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, que está disposto a ceder o governo da Faixa de Gaza a um comitê tecnocrático palestino, uma medida que integra o acordo de cessar-fogo elaborado pelos Estados Unidos. No entanto, o grupo radical fez um apelo urgente pela reabertura imediata da passagem de Rafah, atualmente bloqueada por Israel, para assegurar a livre circulação no enclave.
Disponibilidade total para transferência de poder
Hazem Qassem, porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, afirmou à agência de notícias francesa AFP que foram tomadas medidas concretas no terreno para facilitar a transição. "Podemos falar agora de uma plena disponibilidade de todos os ministérios, organismos e estruturas, inclusive no âmbito da segurança, para entregar todos os expedientes ao comitê", declarou Qassem. Ele ressaltou que os protocolos estão preparados e os arquivos completos, garantindo uma transferência completa da governança em todos os setores.
Supervisão internacional e composição do comitê
O comitê tecnocrático, conhecido como Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), será supervisionado pelo Conselho de Paz, um órgão internacional liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com participação de líderes de diversos países. Composto por 15 membros, o NCAG será chefiado por Ali Shaath, que já atua como comissário-chefe do grupo. A expectativa é que os trabalhos comecem após a reabertura da passagem de Rafah.
Reabertura de Rafah como condição essencial
Qassem instou que a passagem de Rafah, que faz fronteira com o Egito, seja "aberta em ambas as direções, com plena liberdade de saída e entrada na Faixa de Gaza, sem nenhum obstáculo israelense". Ele enfatizou a importância de supervisionar como o comitê gerencia as movimentações dos cidadãos, sem seguir as condições impostas por Israel. A passagem foi bloqueada por tropas israelenses desde maio de 2024, com uma breve abertura no início do ano passado, rapidamente revertida.
Contexto do conflito e compromissos israelenses
O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, comprometeu-se com uma "reabertura limitada" da passagem de Rafah após o retorno dos restos mortais do último refém mantido em Gaza. O corpo do policial Ran Gvili, morto aos 24 anos durante os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, foi recuperado em 26 de janeiro, um dia após uma operação militar israelense em um cemitério no norte de Gaza. Este evento marcou um passo significativo nas negociações, mas as tensões persistem devido às condições de vida precárias dos palestinos, confinados a um terço do enclave desde o cessar-fogo.
A situação humanitária em Gaza continua crítica, com residentes vivendo em acampamentos improvisados e edifícios destruídos, destacando a urgência de soluções duradouras. O anúncio do Hamas representa um avanço potencial nas discussões de paz, mas a implementação prática depende da resolução de questões logísticas e políticas, incluindo o acesso irrestrito através de Rafah.