Guerra no Oriente Médio deixa moradores de Rio Preto presos em Dubai com voos cancelados
Guerra no Oriente Médio prende moradores de Rio Preto em Dubai

Guerra no Oriente Médio causa apreensão e prende moradores de Rio Preto em Dubai

Os intensos conflitos militares entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se iniciaram no sábado, 28 de fevereiro, provocaram o fechamento de aeroportos em todo o Oriente Médio e uma onda massiva de cancelamentos de voos internacionais. O Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, considerado um dos maiores terminais aeroportuários do mundo, retomou parcialmente suas operações nesta segunda-feira, dia 2 de março, mas a normalização completa ainda não foi alcançada.

Rio-pretenses ficam retidos em meio ao conflito

Com o fechamento repentino do espaço aéreo da região, dois moradores de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que seguiam para uma importante feira de negócios na China, foram obrigados a permanecer indefinidamente em Dubai. O bancário Fernando Astolphi e o empresário Samadhi Miqueri Muller relataram em entrevista exclusiva que chegaram a Dubai na quinta-feira, 26 de fevereiro, com planos de permanecer apenas até o domingo, 1º de março.

"A ideia original era ficar apenas duas noites, mas acabamos estendendo para três porque chegamos muito tarde. Nossa partida estava marcada para domingo às 10h40 da manhã, com destino a Hong Kong, e depois seguiríamos para Shenzhen. Infelizmente, no sábado à tarde começaram os bombardeios e fomos diretamente afetados por essa situação crítica", explicou Samadhi Muller com evidente preocupação.

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Medo e incerteza no meio do fogo cruzado

Os dois empresários receberam a comunicação oficial do cancelamento do voo através de mensagens da companhia aérea. "Nunca vivemos uma situação tão tensa quanto esta. A sensação é de que estamos no meio de um fogo cruzado real, com a possibilidade constante de uma bomba cair sobre nossas cabeças a qualquer momento", desabafou Samadhi, revelando o nível de angústia vivido pelos brasileiros retidos.

Fernando Astolphi acrescentou que, apesar dos dias de apreensão e medo, ambos receberam algum suporte da companhia aérea. "Eles nos orientaram claramente: 'Aguarde, pois vamos embarcar primeiro os passageiros que estão há mais tempo aqui'. Não adianta comprar uma nova passagem, pois você vai direto para o final da fila de espera", relatou o bancário, destacando a complexidade logística criada pela guerra.

Novo cancelamento prolonga a espera

A expectativa inicial de Samadhi e Fernando era conseguir embarcar para Hong Kong nesta terça-feira, 3 de março. Entretanto, em nova comunicação ao g1, eles informaram que o voo foi cancelado novamente, prolongando ainda mais sua estadia forçada nos Emirados Árabes Unidos. Até o fechamento desta reportagem, os dois moradores de Rio Preto permaneciam em Dubai sem perspectiva clara de retorno ao Brasil ou continuação de sua viagem de negócios.

Conflito fecha aeroportos e paralisa o transporte aéreo

O conflito armado começou quando Estados Unidos e Israel lançaram bombardeios massivos contra território iraniano no sábado, 28 de fevereiro. Os ataques resultaram na morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, além de diversas autoridades militares de alto escalão do país. Como resposta imediata, o Irã lançou ataques retaliatórios contra Israel e contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas.

Esta escalada militar forçou o fechamento completo ou a restrição severa de aeroportos em Dubai, Abu Dhabi e Doha nos últimos dias, enquanto grande parte do espaço aéreo regional permanece interditado para voos comerciais. A gestora de aeroportos de Dubai anunciou na segunda-feira que as operações nos aeroportos internacionais de Dubai e Al Maktoum seriam retomadas "de forma limitada", recomendando que passageiros só se dirigissem aos terminais quando contatados diretamente pelas companhias aéreas.

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Balanço trágico do conflito

Segundo a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã, 555 pessoas já foram mortas desde o início dos ataques ao país, em atualização divulgada nesta segunda-feira. Os Estados Unidos confirmaram no domingo que três militares norte-americanos perderam a vida desde o início das hostilidades, com o presidente Donald Trump prometendo publicamente "vingar seus mortos" e desferir "o golpe mais devastador aos terroristas".

A troca diária de ataques entre as nações envolvidas continua sem trégua, com bombardeios regulares contra Israel e Irã sendo presenciados também em outros países da região, criando uma crise humanitária e logística de proporções internacionais que agora atinge diretamente cidadãos brasileiros em viagem de negócios.