Conflito no Oriente Médio marca nova era de armas com inteligência artificial
Guerra no Oriente Médio inicia era de armas com inteligência artificial

Conflito no Oriente Médio inaugura fase bélica dominada pela inteligência artificial

O recente confronto no Oriente Médio sinalizou um marco histórico no desenvolvimento de armamentos militares, com a inteligência artificial assumindo um papel central nas estratégias de guerra. No sábado, 28 de setembro, os Estados Unidos lançaram em larga escala sua mais avançada força-tarefa comandada por IA, a Scorpion Strike, que empregou centenas de drones Lucas no céu do Irã.

Drones kamikazes e a nova estratégia de sobrecarga no campo de batalha

Os drones Lucas, resultado de engenharia reversa a partir de modelos iranianos de baixo custo, foram utilizados como iscas para revelar as posições dos radares antimísseis iranianos. Cada unidade carrega 18 kg de explosivos, complementando o ataque com mísseis Tomahawk e caças de última geração. Esta tática de sobrecarregar o campo de batalha com drones kamikazes não é uma invenção americana, mas sim chinesa, desenvolvida há pelo menos uma década.

Em operações tão massivas, o controle e a orquestração tornam-se praticamente impossíveis sem o auxílio da inteligência artificial. O Departamento de Defesa dos EUA inicialmente buscou parcerias com empresas tradicionais como a Lockheed Martin, mas percebeu a necessidade de adotar uma postura mais ágil, semelhante à de uma empresa de tecnologia, para competir com a China.

A corrida tecnológica e o dilema ético da Anthropic

Entre as empresas contratadas está a Anthropic, fundada pelos irmãos Dario e Daniela Amodei, ex-funcionários da OpenAI que se afastaram devido a preocupações com a velocidade e a ética no desenvolvimento de IA. A empresa promove uma "inteligência artificial responsável", com a missão de beneficiar a humanidade a longo prazo. No entanto, no verão passado, assinou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Guerra de Donald Trump, e seu sistema Claude foi utilizado na ofensiva de sábado.

De acordo com o professor de geopolítica Craig Jones, da Universidade de Newcastle, a IA é aplicada em três frentes principais:

  • Análise de material de inteligência, como documentos secretos e imagens de satélite;
  • Identificação de alvos a partir dessa análise;
  • Simulação do campo de batalha, projetando possibilidades de ataque.

Apesar de uma cláusula contratual que proíbe o uso de sua tecnologia em armas autônomas, a Anthropic enfrentou críticas do secretário de Guerra Pete Hegseth, que a acusou de priorizar a ideologia do Vale do Silício em detrimento da segurança nacional. Horas antes do ataque, o presidente Donald Trump ordenou o banimento da empresa do sistema de defesa americano.

A infraestrutura de guerra e a nova corrida armamentista

Jones explica que esses sistemas de IA são parte integrante da infraestrutura de guerra, formando redes interconectadas que não podem ser desligadas sem reações em cadeia. No ataque, os drones Lucas, auxiliados pelos satélites Starlink de Elon Musk, coordenaram suas posições e se reorganizaram mesmo quando abatidos, abrindo um corredor seguro para caças que invadiram Teerã.

Enquanto a China demonstrou, em 2026, a capacidade de comandar 200 drones com um único soldado, os EUA buscam desenvolver software de precisão para conter possíveis invasões, como a de Taiwan. A China planeja produzir um milhão de drones a US$ 10 mil cada, investindo também em sistemas eletrônicos para interferir na comunicação adversária.

A disputa com a Anthropic pode representar um obstáculo ao rápido desenvolvimento de armas, mas, com vastos recursos financeiros envolvidos, outras empresas provavelmente continuarão a tradição americana de avanço tecnológico através da guerra. Este conflito no Oriente Médio não apenas redefine os paradigmas bélicos, mas também evidencia os complexos dilemas éticos e estratégicos da inteligência artificial no cenário militar global.