Trump afirma que Groenlândia é crucial para o Domo de Ouro, escudo antimísseis de US$ 175 bi
Groenlândia é vital para Domo de Ouro de Trump, diz presidente

Trump destaca papel vital da Groenlândia para o ambicioso Domo de Ouro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu o debate sobre o Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis que pretende construir sobre território americano até o fim de seu mandato, em 2029. Em meio a pressões para anexar a Groenlândia, Trump declarou que a ilha autônoma da Dinamarca é "vital" para a concretização do projeto, avaliado em impressionantes US$ 175 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 1 trilhão.

O que é o Domo de Ouro e como funcionaria?

Anunciado em maio do ano passado, o Golden Dome (Domo de Ouro, em português) é inspirado no Domo de Ferro de Israel e está em desenvolvimento pelo Pentágono. Trump assinou um decreto para avançar com a iniciativa em janeiro de 2025, justificando que os EUA enfrentam ameaças de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, adotando a filosofia da "paz pela força".

O sistema foi concebido para operar em quatro camadas principais de defesa:

  1. Detectar e destruir mísseis antes do lançamento.
  2. Interceptá-los no estágio inicial do voo.
  3. Pará-los no meio do caminho no ar.
  4. Detê-los nos minutos finais enquanto descem em direção a um alvo.

Por que a Groenlândia é tão estratégica?

Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia há muito é vista como uma área de grande importância estratégica para a segurança do Ártico. A ilha poderia servir como base terrestre para interceptores de mísseis do Domo de Ouro, pois representa a rota mais curta para um míssil balístico russo atingir o território continental americano.

Além disso, sua localização na chamada lacuna GIUK – um corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido – a torna crucial para vigilância marítima, especialmente com o derretimento do gelo no Ártico abrindo novas rotas de navegação. Os EUA desejam instalar radares em terra e no mar ao redor da ilha para monitorar embarcações chinesas e russas.

Clayton Allen, chefe de operações da Eurasia Group, destacou à CNBC: "Os EUA precisam de acesso ao Ártico, e hoje não têm muito acesso direto. A Groenlândia oferece uma quantidade enorme. Precisam de defesas aéreas cada vez mais próximas da Rússia para combater armas de última geração."

Detalhes técnicos e implicações do projeto

Em apresentação a empreiteiros do setor de Defesa, o Pentágono revelou que o Domo de Ouro incluirá:

  • Uma camada baseada em satélite para alerta e rastreamento.
  • Três camadas terrestres com interceptadores, radares e possivelmente lasers.
  • 11 baterias de curto alcance nos EUA continentais, Alasca e Havaí.
  • Uma nova base no Centro-Oeste para abrigar interceptadores de última geração (NGI).

O sistema visa neutralizar alvos na "fase de impulso", estágio inicial previsível da trajetória de um míssil, e implementar interceptadores baseados no espaço para maior eficiência. As linhas de defesa finais contarão com sistemas como o Patriot e um novo lançador versátil.

Além das implicações militares, a Groenlândia possui vastas reservas inexploradas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras, recursos essenciais para tecnologias de defesa e energia renovável, aumentando ainda mais seu valor estratégico para os Estados Unidos.