França e Reino Unido reforçam presença militar no Oriente Médio após ataques iranianos
A França mobilizou nesta terça-feira, 3 de março de 2026, caças Rafale sobre os Emirados Árabes Unidos para proteger suas bases aéreas e navais de possíveis ataques do Irã. Simultaneamente, o Reino Unido estuda enviar um navio de guerra ao Chipre, onde uma instalação militar britânica foi recentemente atingida por drones iranianos. Esses movimentos representam uma significativa escalada no conflito no Oriente Médio, iniciado por ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
Resposta francesa com caças Rafale nos Emirados Árabes Unidos
O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, confirmou à emissora BFMTV que os caças Rafale estão realizando operações para garantir a segurança do espaço aéreo sobre as bases francesas. "Um hangar em uma base francesa nos Emirados Árabes Unidos foi atingido por um drone no domingo", declarou Barrot, destacando a necessidade de medidas defensivas imediatas. Desde 2009, a França mantém uma instalação militar permanente nos Emirados, incluindo:
- Uma base aérea em Al Dhafra
- Uma base naval no porto de Mina Zayed, em Abu Dhabi
- Um centro de treinamento de tropas no deserto emiradense
Reino Unido avalia envio de navio de guerra ao Chipre
O secretário de Defesa britânico, John Healey, afirmou que seu país está considerando enviar o navio de guerra da Marinha Real HMS Duncan para o Chipre. O objetivo é defender a base aérea de Akrotiri de futuros ataques, especialmente após drones supostamente disparados pelo Hezbollah, milícia libanesa aliada do Irã, terem atingido a instalação. Fontes do jornal The Guardian indicam que o destacamento do HMS Duncan, atualmente em Portsmouth, está sendo discutido como uma forma de melhorar a proteção da base cipriota. O navio é especializado em operações de combate a drones e participou recentemente de um exercício simulado na costa do País de Gales.
Contexto da escalada no conflito no Oriente Médio
A mobilização ocidental ocorre em meio a uma intensificação do conflito na região, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no último final de semana. Em retaliação, Teerã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo, danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas petrolíferas. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que interceptou e destruiu:
- Nove mísseis balísticos
- Seis mísseis de cruzeiro
- 148 drones
Desde o início dos ataques, um total de 174 mísseis balísticos, oito mísseis de cruzeiro e 689 drones foram detectados em direção ao país, tornando os Emirados Árabes Unidos a nação mais visada do Golfo Árabe. O país condenou os ataques como uma grave violação da soberania nacional e do direito internacional.
Impactos adicionais e declarações diplomáticas
Entre segunda e terça-feira, embaixadas americanas no Kuwait e na Arábia Saudita também foram alvo de ataques com drones, levando o Departamento de Estado dos Estados Unidos a ordenar a evacuação de funcionários diplomáticos não essenciais de seis países do Oriente Médio. Apesar da retaliação contínua, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, assegurou em conversa telefônica com seu homólogo chinês, Wang Yi, que não há "nenhuma hostilidade" em relação aos vizinhos do Golfo. "A retaliação defensiva do Irã contra as bases militares americanas não deve ser considerada um ataque iraniano contra esses países", afirmou Araghchi, enfatizando o desejo de manter relações de boa vizinhança.



