F-35 dos Estados Unidos é atingido pela primeira vez em combate durante guerra no Irã
Um caça de quinta geração F-35, considerado o mais moderno do arsenal norte-americano, foi atingido pela primeira vez em combate na história durante operações sobre o território iraniano. O avião sofreu avarias significativas, mas o piloto conseguiu realizar um pouso de emergência em segurança em uma base não revelada localizada no Oriente Médio.
O incidente histórico foi divulgado nesta quinta-feira (19), marcando o vigésimo dia do conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel contra a teocracia iraniana, conforme reportagem da rede CNN. As informações foram confirmadas por fontes militares e geram preocupações sobre a real supremacia aérea da coalizão.
Investigação em andamento e hipóteses sobre o ataque
Um porta-voz do Comando Central das Forças Armadas americanas, Tim Hawkins, declarou oficialmente que "o incidente está sob investigação". A hipótese mais provável, segundo analistas militares, é que o F-35 tenha sido atingido por fogo antiaéreo iraniano, possivelmente de lançadores móveis ou sistemas portáteis que sobreviveram aos intensos bombardeios iniciais.
Essa possibilidade contradiz declarações anteriores tanto do ex-presidente Donald Trump quanto do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, que afirmavam ser impossível tal ocorrência devido à suposta supremacia tecnológica absoluta da coalizão americano-israelense nos céus da região.
A vantagem aérea existe, mas é relativa, especialmente considerando que a estrutura de defesa iraniana, embora duramente alvejada, pode ter preservado capacidades defensivas significativas. Como a altitude exata em que o F-35 operava no momento do incidente não foi divulgada, todas as análises permanecem especulativas por enquanto.
Operação dos caças F-35 na região e contexto histórico
O caça F-35, que incorpora tecnologia furtiva avançada para evadir radares, é operado na região principalmente a partir da base aérea de Muwaffaq, na Jordânia, e do porta-aviões USS Abraham Lincoln - neste caso, utilizando sua versão naval designada como F-35C. Adicionalmente, cerca de vinte unidades do modelo F-35B, com capacidade de decolagem vertical, estão a caminho a bordo do navio de desembarque anfíbio USS Patriot, recentemente deslocado do Japão para a região.
Antes deste episódio, os Estados Unidos somente haviam perdido em combate três caças F-15E, abatidos aparentemente por um F/A-18 do Kuwait em um incidente classificado como "fogo amigo". Relatos não confirmados sugerem que o piloto árabe envolvido estaria preso sob suspeita de ter agido intencionalmente. Todos os seis aviadores americanos a bordo dos aparelhos sobreviveram àquele incidente.
Na semana passada, um avião-tanque KC-135 caiu no norte do Iraque, aparentemente após colidir com outra aeronave do mesmo modelo durante uma complexa operação de reabastecimento em voo. Nessa tragédia, todos os seis tripulantes perderam a vida.
Presença israelense e vendas de armas na região
Israel, que opera atualmente pelo menos 39 dos 50 caças F-35 que encomendou, não registrou nenhuma perda de equipamento significativa neste conflito. Curiosamente, nesta mesma guerra, um F-35 israelense obteve sua primeira vitória aérea contra uma aeronave tripulada, ao derrubar um avião de treinamento de fabricação russa sobre território iraniano.
O incidente com o F-35 norte-americano ocorre em um contexto de intensificação das vendas de armas na região. Nesta mesma quinta-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou transações superiores a US$ 16 bilhões (aproximadamente R$ 84 bilhões) em equipamentos militares para países do Golfo Pérsico que enfrentam retaliações iranianas.
Os Emirados Árabes Unidos emergem como principais compradores, com pedidos que incluem sistemas de radar para defesa antiaérea, mísseis ar-ar para seus caças F-16 e drones, totalizando US$ 8,4 bilhões (cerca de R$ 44 bilhões). O Kuwait realizou solicitação semelhante no valor de US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 42 bilhões), enquanto a Jordânia recebeu uma aprovação não detalhada para aquisições.
Contexto histórico e econômico das vendas de armas
A região do Oriente Médio sempre representou um mercado significativo para armas ocidentais, particularmente norte-americanas. Dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos projetam que, em 2025, seis dos dez países que mais investem em defesa em proporção ao seu PIB estarão localizados nesta região.
O preço unitário do caça F-35 varia conforme o pacote de compra, mas nunca fica abaixo de US$ 100 milhões (cerca de R$ 525 milhões) por unidade. A aeronave é altamente cobiçada no Oriente Médio, não apenas por suas capacidades tecnológicas, mas também pelo interesse dos países árabes em equilibrar forças com Israel.
A venda acelerada de armamentos devido à ameaça iraniana numa guerra iniciada pelos próprios americanos remete a uma lógica histórica denunciada pelo presidente Dwight Eisenhower em seu discurso de despedida em 1961, no qual alertava sobre a interligação entre a política externa norte-americana e os interesses do que denominou "complexo industrial-militar".
Esta guerra parece estar alterando rapidamente o cenário geopolítico regional, com implicações que vão além do campo de batalha e atingem as relações comerciais e estratégicas entre nações.



