Gramados da Copa 2026: ciência e tecnologia para campos perfeitos
Gramados da Copa 2026: ciência e tecnologia

A qualidade dos gramados da Copa do Mundo de 2026 está sendo preparada com rigor científico para evitar as reclamações vistas na Copa América de 2024. Na ocasião, jogadores argentinos criticaram o campo do estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, descrevendo a bola quicando como em um trampolim. Para o Mundial, a Fifa contratou especialistas como John Sorochan, da Universidade do Tennessee, e Trey Rogers 3º, da Universidade do Estado de Michigan, que lideram pesquisas para garantir campos perfeitos nos 16 estádios-sede nos EUA, Canadá e México.

Desafios dos gramados em estádios cobertos

Cinco das arenas são cobertas, o que preocupa Sorochan: "O sol vai nascer, mas não dentro delas. As plantas precisam de luz para crescer." Para isso, luzes retráteis de LED serão instaladas, fornecendo a energia necessária para a grama se manter saudável durante as semanas de jogos. A tecnologia de LED avançou significativamente desde 1994, quando Rogers instalou o primeiro gramado natural em um estádio coberto no Pontiac Silverdome.

Pesquisas e testes intensivos

Nos últimos oito anos, os pesquisadores realizaram mais de 170 experimentos, testando desde a altura de corte até a tração oferecida aos jogadores. Uma diferença de apenas cinco milímetros pode determinar se o campo se comporta como "velcro" ou como um tapete natural perfeito. Máquinas lançavam bolas para medir velocidade e quique, enquanto uma estrutura metálica com chuteira golpeava o solo para testar elasticidade. Também foram avaliadas a drenagem e a resistência a buracos.

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Gramas específicas para cada clima

Em regiões mais quentes, como Miami e Cidade do México, será usada grama bermuda, mais densa e de secagem rápida. Em áreas frias, como Toronto e Boston, a combinação será de Kentucky bluegrass e azevém perene. Fibras plásticas são incorporadas à grama natural para aumentar durabilidade. Sorochan admite que cada campo terá características ligeiramente diferentes, mas a variação será mínima graças às pesquisas.

Logística de plantio e transporte

Gramados são cultivados em fazendas como a Green Valley Turf Company, no Colorado, que fornecerá campos para Dallas, Atlanta e Houston. A grama é plantada sobre areia e plástico para proteger as raízes durante o transporte. Caminhões refrigerados levarão cerca de 93 mil metros de grama para os estádios. Nos estádios cobertos, a instalação ocorre apenas dez dias antes da estreia, exigindo cuidados intensivos com fungicidas, fertilizantes e algas marinhas.

Investimento e legado

A Fifa gastou mais de US$ 5 milhões em pesquisas sobre gramados. Alan Ferguson, diretor sênior de gestão de gramados da Fifa, afirma que a Copa do Mundo de Clubes de 2025 serviu como ensaio parcial. A expectativa é que as soluções desenvolvidas possam beneficiar até mesmo escolas locais, segundo Elizabeth Guertal, professora da Universidade de Auburn. Rogers e Sorochan esperam que o trabalho convença equipes de futebol americano a abandonar o gramado sintético.

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