O Exército dos Estados Unidos realizou um movimento estratégico inédito ao utilizar pela primeira vez drones de ataque de baixo custo inspirados em modelos iranianos para atacar o próprio Irã. O anúncio foi feito no sábado (28) pelo Comando Central das Forças Armadas norte-americanas, marcando uma virada tática no conflito entre as duas nações.
Operação Fúria Épica emprega drones Lucas
Em comunicado oficial, o Exército dos Estados Unidos revelou que o Grupo de Ataque Scorpion do Centcom está empregando drones de ataque unidirecionais na chamada 'Operação Fúria Épica'. Esses projéteis, batizados de Lucas — acrônimo para "Sistema Não Tripulado de Baixo Custo de Ataque e Combate" — foram especificamente modelados a partir dos drones Shahed produzidos pelo Irã.
"Pela primeira vez na história, estamos utilizando drones de ataque unidirecionais em combate durante a 'Operação Fúria Épica'", afirmou o Exército norte-americano. "Esses drones de baixo custo, modelados a partir dos drones Shahed do Irã, agora estão aplicando uma retaliação fabricada nos Estados Unidos."
Ironia estratégica: copiar o inimigo
A decisão de basear os novos drones norte-americanos em tecnologia iraniana representa uma ironia estratégica significativa. O Irã consolidou-se como referência global na produção de drones de ataque, exportando essa tecnologia para diversos aliados, incluindo a Rússia, que os utiliza extensivamente na guerra contra a Ucrânia.
Os drones Shahed iranianos, que serviram de inspiração para os Lucas, possuem diversas variantes e funções:
- Modelos exclusivos para ataques diretos
- Versões com função dupla de monitoramento e ataque
- Sistemas com diferentes capacidades de alcance e carga
Capacidades técnicas dos drones Lucas
Segundo as informações divulgadas pelo Exército dos Estados Unidos, os drones Lucas implantados pelo Centcom apresentam características operacionais avançadas:
- Grande alcance operacional para penetração em território inimigo
- Projeto para operação autônoma com mínima intervenção humana
- Múltiplos sistemas de lançamento incluindo catapultas, decolagem assistida por foguete e plataformas móveis terrestres ou veiculares
Apesar do anúncio detalhado sobre as capacidades técnicas, o Exército norte-americano não revelou informações específicas sobre como ou onde exatamente os drones foram utilizados na nova fase do conflito contra o Irã. Essa omissão estratégica mantém elementos de surpresa operacional.
Mudança no arsenal norte-americano
Até este momento, as forças armadas dos Estados Unidos dependiam majoritariamente de mísseis convencionais para suas operações ofensivas contra alvos iranianos. Um exemplo recente foi o ataque que eliminou o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, também ocorrido no sábado.
A introdução dos drones Lucas representa uma diversificação significativa no arsenal norte-americano, oferecendo uma opção mais econômica e potencialmente mais versátil para engajamentos de precisão.
Grupo de Ataque Scorpion: nova unidade especializada
O Grupo de Ataque Scorpion é uma unidade militar relativamente recente dentro do Comando Central do Exército dos Estados Unidos. Criada em dezembro de 2025 e anunciada publicamente naquela ocasião, esta divisão tem foco específico no emprego de drones de ataque kamikaze de baixo custo no teatro de operações do Oriente Médio.
A formação desta unidade especializada tem como objetivo declarado reduzir a distância tecnológica entre os programas de drones dos Estados Unidos e do Irã, reconhecendo a expertise iraniana neste campo enquanto desenvolve capacidades domésticas adaptadas às necessidades estratégicas norte-americanas.
Esta abordagem representa uma evolução na doutrina militar dos Estados Unidos, que tradicionalmente priorizava sistemas de alta tecnologia e custo elevado, agora incorporando conceitos de guerra assimétrica aprendidos observando adversários como o Irã.
