Após 4 anos de conflito, EUA, Rússia e Ucrânia iniciam negociações de paz nos Emirados Árabes
EUA, Rússia e Ucrânia negociam paz após 4 anos de guerra

Diplomatas iniciam conversas históricas para encerrar guerra após quatro anos de conflito

Em um momento considerado histórico, representantes dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia se reuniram pela primeira vez desde o início das hostilidades para negociar um possível acordo de paz. O encontro ocorreu nesta sexta-feira, dia 23, nos Emirados Árabes Unidos, marcando uma tentativa diplomática crucial após quatro anos de guerra intensa que completa seu aniversário em fevereiro.

Donbas permanece como principal obstáculo nas negociações

O principal impasse para alcançar a paz continua sendo a região do Donbas, localizada no leste da Ucrânia. Esta área, rica em recursos como terras raras e carvão, tornou-se o epicentro das discussões entre as autoridades envolvidas. As conversas iniciais duraram aproximadamente quatro horas e estão programadas para continuar no sábado, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes.

Encontros preparatórios envolvem líderes mundiais

Antes da reunião principal, ocorreram encontros significativos que prepararam o terreno para as negociações. Na quinta-feira, dia 22, o ex-presidente americano Donald Trump encontrou-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante o Fórum Econômico Mundial na Suíça. Trump expressou otimismo, afirmando que todas as partes desejam o fim do conflito.

Paralelamente, na quinta-feira, o presidente russo Vladimir Putin recebeu no Kremlin os principais negociadores americanos: o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner. As discussões se estenderam até as três horas da manhã, após as quais a delegação americana partiu para Abu Dhabi.

Posições divergentes e desafios territoriais

A Rússia mantém sua insistência em anexar toda a região do Donbas, que compreende as províncias de Luhansk e Donetsk. Isso inclui os aproximadamente 20% do território que ainda estão sob controle ucraniano. Zelensky, por sua vez, tem afirmado que ambas as partes precisarão fazer concessões, mas não esclareceu se a Ucrânia está disposta a ceder terras.

Durante sua campanha eleitoral em 2024, Donald Trump prometeu repetidamente que encerraria a guerra entre Rússia e Ucrânia em menos de 24 horas. Agora, um ano após seu retorno à Casa Branca e às vésperas do quarto aniversário do conflito, os diplomatas buscam concretizar essa promessa, embora a Rússia tenha intensificado seus ataques recentemente.

Cenário humanitário crítico e incertezas futuras

Enquanto as negociações avançam, a situação no terreno permanece grave. Bombardeios contra a rede elétrica deixaram milhares de civis sem eletricidade e aquecimento durante o rigoroso inverno. Nos arredores de Kiev, um trem parado em uma estação foi convertido em uma sala de aula provisória e até mesmo em abrigo para famílias deslocadas.

Tetiana, uma das moradoras afetadas, compartilhou: "Neste momento, o foco é sobreviver ao frio. Quando o verão chegar, será possível ter esperança em algo melhor." Suas palavras refletem a realidade de muitos ucranianos que aguardam ansiosamente por uma solução pacífica.

A reunião em Abu Dhabi representa um teste crucial para o otimismo demonstrado por alguns líderes. Com a delegação russa liderada pelo chefe da inteligência militar e a ucraniana pelo secretário de segurança nacional, as discussões continuam, mas persiste a grande incógnita: o que a Rússia estará realmente disposta a aceitar para encerrar este longo e devastador conflito.