EUA Confirmam Destruição de Apenas Um Terço do Arsenal de Mísseis do Irã Após Um Mês de Conflito
Após aproximadamente um mês do início das hostilidades entre Estados Unidos e Irã, as forças norte-americanas conseguiram determinar com certeza a destruição de apenas cerca de um terço do vasto arsenal de mísseis pertencente à Guarda Revolucionária do Irã. A revelação foi feita nesta sexta-feira (27) pela agência de notícias Reuters, baseada em informações de inteligência militar dos EUA.
Situação Incerta Para Outro Terço do Estoque Iraniano
A situação de outro terço significativo do estoque iraniano de mísseis permanece incerta, embora os intensos bombardeios realizados pelos Estados Unidos provavelmente tenham danificado, destruído ou soterrado esses armamentos em túneis subterrâneos e bunkers fortificados. A informação foi confirmada à Reuters por cinco autoridades norte-americanas diretamente familiarizadas com os dados de inteligência, em meio ao conflito que já dura cerca de um mês.
O Exército norte-americano afirmou ter realizado mais de 10 mil bombardeios em território iraniano desde o início das operações militares. Paralelamente, o Exército israelense, que não divulga um balanço geral completo, anuncia ataques aéreos diários contra lançadores de mísseis e locais de produção desses projéteis. Um dos objetivos declarados conjuntamente por EUA e Israel é desabilitar completamente o programa de mísseis iraniano, considerado um dos principais trunfos estratégicos de Teerã.
Avaliação de Inteligência Contrasta com Declarações Públicas
A avaliação interna do Exército norte-americano, à qual a Reuters teve acesso, contrasta fortemente com as declarações públicas superlativas emitidas pelo governo Trump desde o início da guerra. Autoridades como o secretário de Guerra, Pete Hegseth, e o próprio presidente Donald Trump têm afirmado repetidamente que os Estados Unidos obliteraram as capacidades militares do Irã e que Teerã estaria esgotando sua capacidade de disparar mísseis.
"Trump, inclusive, afirmou ainda na quinta-feira que o Irã tinha 'muito poucos foguetes restantes'", destacou a reportagem, mesmo reconhecendo a ameaça contínua representada pelos mísseis e drones remanescentes de Teerã para a navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz.
Em uma reunião de gabinete televisionada, o presidente norte-americano explicou a complexidade da situação: "O problema com o estreito é o seguinte: digamos que façamos um ótimo trabalho. Digamos que eliminamos 99% (dos mísseis). 1% é inaceitável, porque 1% é um míssil atingindo o casco de um navio que custa um bilhão de dólares".
Capacidade de Recuperação e Drones Também em Foco
Apesar dos danos extensivos, a avaliação dos serviços de inteligência dos EUA indica que o Irã ainda mantém um estoque significativo de mísseis operacionais. Além disso, existe a preocupação de que Teerã possa recuperar parte dos mísseis soterrados ou danificados quando os combates cessarem, restaurando parte de sua capacidade ofensiva.
Uma das fontes consultadas pela Reuters afirmou que a avaliação de inteligência norte-americana é semelhante em relação à capacidade de drones do Irã. Há algum grau de certeza de que aproximadamente um terço desses veículos aéreos não tripulados também foi destruído, mas a ameaça persiste.
As chamadas 'cidades de mísseis' do Irã, fortalezas subterrâneas construídas no coração das montanhas, continuam sendo importantes armas na guerra, demonstrando a resiliência do complexo militar-industrial iraniano mesmo sob intenso ataque.



