Guerra na Ucrânia: Drones e Novas Armas Definem Conflito que se Aproxima de Quatro Anos
Os combates entre Rússia e Ucrânia continuam sem previsão de término, enquanto a invasão russa se aproxima de completar quatro anos no próximo dia 24 de fevereiro. Na última quinta-feira, uma nova rodada de negociações de paz mediada pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, terminou sem fazer avanços significativos. Enquanto a diplomacia parece estagnada, novas armas tecnológicas emergem como possíveis fatores decisivos para alterar o equilíbrio deste conflito prolongado.
Mísseis de Longo Alcance: Flamingo Ucraniano vs. Oreshnik Russo
Os exércitos russo e ucraniano intensificam o uso de mísseis balísticos e de cruzeiro, incluindo modelos novos e experimentais. A Ucrânia, que depende fortemente de armamentos fornecidos por parceiros ocidentais, vem ampliando sua indústria de armas doméstica com desenvolvimentos notáveis. O míssil de cruzeiro Flamingo, produzido pela companhia de defesa ucraniana Fire Point, representa um avanço crucial na produção nacional. Com capacidade de atingir alvos a 3 mil quilômetros de distância, velocidades de até 900 km/h e uma ogiva de 1.150 kg, o Flamingo pode alcançar objetivos estratégicos russos além do alcance de drones ou armas de curto alcance.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky descreveu o Flamingo como um dos mísseis mais bem-sucedidos do país, destacando sua importância por não estar sujeito às restrições impostas por aliados ocidentais. Paralelamente, a Rússia desenvolveu o míssil Oreshnik, com alcance impressionante de até 5,5 mil quilômetros e velocidade que dificulta sua interceptação. O presidente russo Vladimir Putin afirmou em 2024 que o Oreshnik pode atingir 2,5 a 3 km por segundo, tornando-o uma arma formidável já empregada em ataques a cidades como Dnipro e Lviv.
Jatos de Combate: F-16 Ocidental vs. Sukhoi Russo
Na esfera aérea, a Ucrânia recebeu aproximadamente metade dos 90 caças F-16 prometidos por países da Otan, incluindo Bélgica, Dinamarca, Holanda e Noruega. Essas aeronaves, consideradas versáteis e de fácil manutenção, representam um avanço significativo para a força aérea ucraniana, que anteriormente dependia de jatos soviéticos MiG-29 dos anos 1970. Um piloto ucraniano comparou o F-16 a um smartphone moderno em contraste com antigos telefones celulares de botões, destacando sua eficácia em missões defensivas e ataques terrestres precisos.
Do lado russo, a família de aeronaves Sukhoi — incluindo modelos Su-30, Su-34, Su-35 e o avançado Su-57 de quinta geração — forma a espinha dorsal da frota de combate. Com radares modernos e mísseis ar-ar de longo alcance como o R-37, os Sukhois oferecem capacidades superiores em termos de distância e carga bélica. A força aérea russa mantém esmagadora vantagem numérica, embora evite adentrar profundamente em território ucraniano devido aos sistemas de defesa ocidentais como o Patriot.
Dominância dos Drones na Guerra Moderna
Drones têm sido utilizados extensivamente em toda a guerra, servindo para vigilância, ataques, lançamento de mísseis e missões kamikaze. A Ucrânia emergiu como uma das líderes no desenvolvimento de sistemas não tripulados, produzindo anualmente cerca de quatro milhões de drones, segundo estimativas da agência Bloomberg. Durante a Operação Teia de Aranha, mais de 110 drones ucranianos de visão em primeira pessoa invadiram a Rússia e atacaram mais de 40 bombardeiros estratégicos, demonstrando a eficácia dessa estratégia.
A Ucrânia emprega diversos modelos, incluindo drones de combate na linha de frente, drones navais que afundaram navios de guerra russos, e modelos como o FP-1 e FP-2, de fabricação rápida e barata. Além disso, utiliza drones Bayraktar TB2 fornecidos pela Turquia, drones kamikaze Switchblade dos Estados Unidos e drones de vigilância comerciais como o DJI Mavic 3 chinês.
Em resposta, a Rússia está aumentando a produção de drones de ataque de baixo custo, com planos para dezenas de milhares de unidades anuais. O Kremlin anunciou a formação das Forças de Sistemas Não Tripulados, um novo comando para supervisionar seu programa de drones, indicando prioridade estratégica. Modelos como o Geran 2, versão russa do drone iraniano Shahed, são comumente usados para ataques de longo alcance contra infraestrutura ucraniana.
Conectividade e Futuro: IA e Novas Tecnologias
A conectividade representa um desafio crucial para ambos os lados, com drones dependendo de links de satélite para navegação. Recentes tentativas de limitar o uso de satélites Starlink pela Rússia tiveram impactos reais, segundo autoridades ucranianas. O sistema espacial russo, mais limitado, nem sempre está disponível em condições de batalha, forçando alternativas como cabos de fibra óptica ou transmissões de rádio, menos eficazes.
Olhando para o futuro, a inteligência artificial emerge como novo front na corrida tecnológica entre Rússia e Ucrânia. O ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov afirma que desenvolvimentos com IA já começaram, prometendo aumentar rapidamente a eficiência de drones pequenos. A Rússia também investe em drones com ataques autônomos e inteligência artificial, embora nenhuma arma com IA esteja operacional com eficácia comprovada.
Enquanto o conflito se arrasta, a evolução tecnológica continua redefinindo os campos de batalha, com drones e armas avançadas desempenhando papéis cada vez mais centrais nesta guerra que já dura quase quatro anos sem sinais de resolução iminente.