Conflito no Oriente Médio intensifica-se com explosão de drone em aeroporto do Azerbaijão
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta quinta-feira (5) que o país recebeu um pedido formal dos Estados Unidos para auxiliar na proteção contra drones de origem iraniana, conhecidos como 'shaheds', na região do Oriente Médio. Em publicação na rede social X, Zelensky afirmou que já deu instruções para providenciar os meios necessários e garantir a presença de especialistas ucranianos para assegurar a segurança exigida.
Sexto dia de guerra registra ataques em sete países
O conflito armado entre os Estados Unidos, Israel e o Irã completou seis dias nesta quinta-feira, com uma série de acontecimentos graves que ampliaram o alcance geográfico dos confrontos. Entre os principais eventos do dia estão:
- No Líbano, onde Israel mantém ofensiva contra o grupo Hezbollah, três pessoas morreram, elevando para 102 o total de mortes em território libanês desde o início da semana, conforme dados do governo local.
- O Azerbaijão acusou o Irã de atingir um aeroporto e uma escola com drones iranianos. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um dos artefatos explodindo em solo. Teerã negou responsabilidade pelos disparos, mas o governo azerbaijano convocou o embaixador iraniano para explicações.
- Mais petroleiros foram atacados no Golfo Pérsico, totalizando nove embarcações alvejadas desde o início das hostilidades.
- As cidades de Doha, no Catar, e Riad, na Arábia Saudita, registraram explosões, sem relatos de feridos até o momento.
- O número de mortos na ofensiva dos EUA e de Israel no Irã subiu para 1.230, segundo a mídia estatal iraniana.
- O funeral do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi adiado, e seu filho, Mojtaba Khamenei, é apontado pela Casa Branca como principal candidato à sucessão.
Contexto e evolução do conflito
A guerra teve início após bombardeios coordenados dos Estados Unidos e de Israel em Teerã, no sábado (28), que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei e de outras autoridades iranianas de alto escalão. Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, gerando uma crise diplomática global.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reivindicou a autoria de um ataque de submarino que afundou o navio de guerra iraniano IRIS Dena na costa do Sri Lanka na quarta-feira (4), causando 87 mortos e 32 feridos. Hegseth declarou que as forças americanas detêm controle absoluto e prometeu novas ondas de bombardeios, afirmando que a Força Aérea e a Marinha iranianas estão praticamente destruídas.
Em resposta, o Irã lançou uma nova ofensiva de mísseis e drones contra Israel, enquanto clérigos do governo de Teerã fizeram ameaças públicas contra o presidente norte-americano Donald Trump. A Guarda Revolucionária iraniana tem focado em interceptar embarcações dos EUA e do Reino Unido no mar, com mais de dez navios e petroleiros atacados desde o início do conflito.
Tensões diplomáticas e sucessão no Irã
A guerra também gerou atritos entre os Estados Unidos e a Espanha, após a Casa Branca anunciar uma cooperação militar que foi negada "de forma categórica" pelo governo espanhol. O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou as ações de Washington como uma "roleta russa" com o destino global, alertando para o risco de grandes catástrofes.
Enquanto isso, a Assembleia dos Peritos do Irã avalia quatro principais nomes para substituir Ali Khamenei no comando do país. Além de Mojtaba Khamenei, concorrem o interino Alireza Arafi, o ultraconservador Mohammad-Mahdi Mirbagheri e o moderado Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, visto como uma alternativa de diálogo com o Ocidente.
O conflito continua a se expandir, com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) interceptando um projétil iraniano que sobrevoou a Turquia em direção ao Mediterrâneo, aumentando os temores de uma escalada que envolva diretamente a Europa.



