O governo de Cuba confirmou oficialmente a morte de 32 militares cubanos durante os ataques realizados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos na Venezuela, que resultaram na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, quase 48 horas após a operação militar.
O balanço oficial e as estimativas
Através do veículo oficial Cubadebate, as autoridades cubanas informaram que as 32 vítimas eram militares que "cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior" a pedido da Venezuela. A nota do governo descreveu a ação americana como um "ataque criminoso" e afirmou que os cubanos tombaram após "firme resistência", seja em combate direto ou devido aos bombardeios às instalações.
Este é o único balanço oficial de mortos divulgado até o momento. No entanto, outras fontes apresentam números significativamente maiores. O jornal americano The New York Times, citando autoridades venezuelanas anônimas, estimou que o total de vítimas fatais pode chegar a 80 pessoas, a maioria composta por guarda-costas de Maduro.
Já a imprensa local venezuelana, como o jornal Tal Cual de Caracas, havia reportado no sábado, dia 3, pelo menos 25 mortes, sendo 15 delas integrantes do Batalhão de Segurança Presidencial nº 6, unidade responsável pela proteção do mandatário e sua família.
Reações e consequências imediatas
Em resposta às mortes, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, decretou dois dias de luto nacional em Cuba. O governo reiterou sua posição sobre a presença de cubanos no país vizinho, afirmando que, dos mais de 20 mil cidadãos na Venezuela, muitos são médicos e enfermeiros integrando programas de assistência e "diplomacia médica". Os Estados Unidos, por outro lado, sustentam que a maioria possui vínculos militares.
Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, acusou as tropas americanas de terem agido com extrema violência durante a captura. Em declaração transmitida por todas as emissoras de rádio e TV do país, Padrino afirmou que "grande parte da equipe de segurança de Maduro foi assassinada a sangue frio" pelos militares dos EUA. Ele, contudo, não forneceu números específicos de baixas.
O contexto da operação militar
Os ataques ocorreram no último sábado, 3 de janeiro, e incluíram uma série de bombardeios contra instalações militares e governamentais em Caracas e em outros três estados venezuelanos. O Forte Tiuna, maior complexo militar do país, foi um dos alvos e registrou um grande incêndio.
A operação culminou com a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores, que foram levados para os Estados Unidos. Eles devem comparecer à primeira audiência em um tribunal de Nova York nesta segunda-feira para responder a acusações de "narcoterrorismo".
O episódio marca uma escalada dramática na longa crise política e humanitária da Venezuela, inserindo diretamente Cuba no centro do conflito e levantando novas questões sobre as consequências regionais desta intervenção militar.