As tensões na fronteira entre Tailândia e Camboja explodiram novamente nesta segunda-feira, com ataques aéreos e uma intensa troca de acusações entre os dois países do Sudeste Asiático. O incidente marca uma violação grave do acordo de trégua mediado pelos Estados Unidos em outubro do ano passado.
Troca de acusações e escalada militar
As versões sobre quem iniciou os confrontos são diametralmente opostas. O porta-voz do Exército tailandês, major-general Winthai Suvaree, afirmou que as tropas cambojanas atiraram primeiro em território tailandês em várias áreas. Em resposta, a Tailândia teria usado aeronaves para atingir alvos militares e suprimir o fogo de apoio vindo do Camboja.
Do outro lado, a porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, acusou os militares tailandeses de terem atacado primeiro. Ela destacou que o Camboja não retaliou durante os ataques iniciais desta segunda-feira e fez um apelo para que a Tailândia "interrompa imediatamente todas as atividades hostis".
Vítimas e consequências imediatas
O saldo dos confrontos já é trágico. O Exército tailandês confirmou a morte de um de seus soldados e que outros quatro ficaram feridos. Civis que vivem nas regiões afetadas estão sendo evacuados para áreas mais seguras.
O impacto na vida cotidiana foi imediato. O Ministério da Educação do Camboja informou o fechamento de várias escolas ao longo da fronteira. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram cenas de pânico, com alunos correndo para encontrar os pais e famílias fugindo a pé ou de motocicleta.
Histórico de tensões e frágil trégua
Este novo episódio de violência não é isolado. Apenas no domingo, um breve incidente com troca de tiros na fronteira já havia ferido dois soldados tailandeses, segundo seu exército. A trégua de outubro, intermediada pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, já vinha sendo abalada desde o mês passado, quando soldados tailandeses foram feridos por minas terrestres.
A raiz do conflito é antiga e complexa, remontando a séculos de rivalidade entre os impérios da região. A disputa territorial moderna gira em torno da interpretação de um mapa de 1907, da época do domínio colonial francês no Camboja. Um marco dessa discórdia é o templo de Preah Vihear, de mil anos, cuja soberania foi concedida ao Camboja pela Corte Internacional de Justiça em 1962 — uma decisão que ainda causa ressentimento na Tailândia.
A trégua rompida não oferecia uma solução definitiva para o cerne da questão: a definição precisa do traçado da fronteira. Enquanto os dois lados continuam a trocar acusações sobre a responsabilidade pelas minas e pelos tiros, a paz na região permanece instável e a população local vive sob a constante ameaça de uma nova escalada.