Brasileiras enfrentam pesadelo em Dubai durante crise internacional
A economista brasileira Georgia Figuerola e sua filha estão vivendo uma situação de angústia e incerteza em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde se encontram retidas desde o início dos bombardeios entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O voo de retorno à Suíça, onde residem há anos, foi abruptamente cancelado, deixando-as em um limbo logístico e emocional.
Noites de terror e interceptações aéreas
Hospedadas em um hotel da cidade desde sábado (28), quando os primeiros ataques foram registrados, mãe e filha descrevem noites aterrorizantes. "Não dava para dormir, tinha muitos estrondos, muitos. Eles [governo dos EAU] interceptaram. Eu acho que foram 400 mísseis e drones. E foi isso a noite inteira", relata Georgia ao recordar os momentos mais críticos. A viagem, inicialmente planejada como turismo de cinco dias, transformou-se em um pesadelo prolongado.
Cancelamentos e remarcações sucessivas
O voo original estava marcado para a madrugada de 28 para o dia 1º no aeroporto internacional de Dubai, justamente um dos alvos dos bombardeios naquela madrugada. "Eles remarcaram o meu voo e eu fui almoçar. A gente começou a ouvir uns estrondos, que eram os mísseis sendo interceptados. Nós ouvimos um estrondo e a gente não estava entendendo", detalha a economista. Desde então, a volta foi remarcada novamente: a previsão inicial para quarta-feira (4) foi substituída por um novo embarque previsto para sexta (6), sem garantias firmes.
A rota alternativa oferecida pela companhia aérea não é direta: inclui uma conexão de Dubai para Doha, no Qatar, com posterior seguimento até a Suíça. Outra opção apresentada seria viajar até a Arábia Saudita, passar uma noite no aeroporto local e só então continuar a jornada. "Mas não está 100% garantido que esse voo vai acontecer. A gente tem que aceitar as opções da companhia aérea e esperar", resigna-se Georgia.
Custos inesperados e improvisação forçada
Enquanto aguardam uma solução definitiva, mãe e filha permanecem hospedadas no hotel Burj Khalifa, arcando pessoalmente com todas as despesas de estadia, alimentação e até compra de roupas. "São despesas extras que não estavam planejadas. Não tinha mais roupa, eu não tinha produtos de higiene, não tinha nada, porque eu vim aqui para ficar quase cinco dias, eu vim com uma mala de mão", explica a brasileira, destacando o caráter improvisado da estadia prolongada.
Brasileiros residentes enfrentam tensão ainda maior
Para os compatriotas que vivem permanentemente nos Emirados Árabes Unidos, a situação é ainda mais tensa e preocupante. Pedro (nome fictício), nascido em São Paulo capital, reside no país há três anos com a esposa e um filho bebê. Ele preferiu não ter sua identidade revelada por temer represálias, mencionando que o governo local "não é muito simpático em divulgação de informação".
Impacto direto na rotina dos residentes
O brasileiro relata que o prédio situado em frente ao seu foi atingido por estilhaços de um drone interceptado pelas forças militares dos Emirados Árabes Unidos. "Escutei a primeira explosão por volta das 13 horas [de sábado]. Estava em casa e o barulho foi bem alto", recorda. "Depois desse primeiro barulho, alguns se repetiram e, pelo menos na região que eu moro, o padrão se repetiu de 3 em 3 horas e foi até domingo no final da tarde".
Estratégias de sobrevivência e solidariedade
Diante do cenário de incerteza, os brasileiros que vivem na região criaram grupos de WhatsApp para trocar informações cruciais sobre áreas consideradas mais seguras. Pedro detalha que os moradores passaram a adotar medidas preventivas concretas:
- Ficar longe das janelas durante os episódios de bombardeio
- Escolher quartos sem paredes externas para dormir com a família
- Aumentar estoques de água e comida como precaução
"Estamos tomando medidas: ficando longe das janelas. Escolhi um quarto que não tem paredes externas para dormir com esposa e filho. E aumentamos o estoque de água e comida -- mas nada demais, pois não tenho notado problema de abastecimento", explica o residente, demonstrando um equilíbrio entre precaução e pragmatismo.
A situação permanece fluida e incerta, com centenas de estrangeiros, incluindo brasileiros, aguardando uma normalização das condições que permita sua saída segura dos Emirados Árabes Unidos enquanto o conflito internacional segue seu curso imprevisível.
