Atleta cearense em Israel narra rotina transformada pelo conflito com Irã e EUA
Ansiedade, aflição e medo são os sentimentos que definem a vida atual de Elaine Gomes, atleta cearense de handebol que reside e trabalha na cidade de Asdode, em Israel. Com o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, a profissional viu sua rotina completamente alterada, passando de uma disciplina rigorosa a uma luta diária pela sanidade mental.
Rotina profissional dá lugar à corrida pela sobrevivência emocional
Em entrevista ao Bom dia Ceará, Elaine revelou que, antes da guerra, mantinha uma agenda exigente: acordava entre 6h e 8h, frequentava a academia, dedicava-se aos estudos e realizava um segundo treino noturno, aliado a uma alimentação balanceada. No entanto, com o surgimento de mortes e explosões, o treino de alto rendimento foi substituído por uma simples corrida ao redor do prédio onde mora, com o único objetivo de preservar seu bem-estar psicológico.
"Nesse momento estou na sacada do prédio e, aparentemente, está tudo bem na minha cidade. Asdode está longe dos ataques, diferente de Tel Aviv e Jerusalém. Eu vim aqui para fazer meu trabalho, continuar jogando handebol, ganhar meu dinheiro e, do nada, hoje é o quarto dia de guerra, estou aqui nessa situação", desabafa a brasileira.
Foco na saúde mental e desejo de retorno ao Brasil
O foco atual da atleta, segundo ela mesma, é permanecer bem e retornar a Fortaleza, sua cidade natal. "Ficar aqui nessa aflição, esperando a sirene, esperando o alarme, vai me deixar doente", afirma Elaine, destacando a tensão constante que enfrenta. Desde agosto do ano passado em Israel, onde foi participar de competições e melhorar seu rendimento, a jovem mantém contato frequente com a família, atualizando-os sobre o conflito e seu estado de saúde.
Após três dias confinada em casa, ela saiu pela primeira vez em seu bairro e observou supermercados e academias abertos. Embora a academia disponha de um bunker, estrutura comum em Israel para proteção, Elaine prefere optar por atividades domésticas, evitando os riscos associados aos alarmes de emergência.
Desafios profissionais e falta de resposta da embaixada
Elaine tem aproximadamente um jogo por semana de handebol e conseguiu vaga para a final da Copa de Israel, mas suas prioridades mudaram drasticamente. "Estou pensando na minha saúde mental, não estou pensando em campeonato, nada do tipo. Desde o primeiro dia de guerra, eu tentei entrar em contato com a embaixada brasileira, mas eles não me responderam até agora. Meu objetivo é sair daqui", revela.
Ela complementa: "Imagina você estar vivendo isso pela primeira vez e pensar 'Vou para academia treinar, mas quando a sirene tocar vou para o bunker'. Eu não estou conseguindo lidar ainda com isso, sabe?".
Contexto do conflito entre EUA, Israel e Irã
Os Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado, desencadeando uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas em Teerã e outras cidades iranianas, resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outros membros de alto escalão do governo e das forças armadas iranianas. Até o momento, mais de 780 pessoas foram mortas desde o início dos ataques.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra território israelense e bases militares norte-americanas no Oriente Médio, com trocas de ataques diárias que continuam a afetar a região, testemunhadas por diversos países vizinhos.



