Ataque israelense a hotel em Beirute mata quatro e fere dez em área turística
Um ataque aéreo israelense contra o hotel Ramada, localizado no bairro de Raouche, em Beirute, capital do Líbano, resultou em pelo menos quatro mortos e dez feridos, conforme informou o Ministério da Saúde libanês neste domingo, 8 de março de 2026. O bombardeio atingiu uma área turística à beira-mar que, até então, havia sido poupada dos confrontos entre Israel e o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah.
Alvo militar em meio à população civil
O Exército israelense justificou a operação como um "ataque de precisão" direcionado a comandantes cruciais do Corpo do Líbano da Força Quds, uma unidade da Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana. Em comunicado divulgado na plataforma Telegram, as forças israelenses acusaram o "regime terrorista iraniano" de operar sistematicamente entre a população civil, utilizando-a como "escudo humano".
Um fotógrafo da agência de notícias AFP relatou cenas de destruição no local, com um quarto no quarto andar do hotel apresentando janelas quebradas e paredes marcadas por incêndio. Dezenas de hóspedes, muitos deles deslocados pelos recentes combates, fugiram aterrorizados carregando suas bagagens.
Contexto de escalada no conflito
O ataque ao hotel ocorre no contexto de uma escalada de violência iniciada na segunda-feira anterior, quando Israel lançou uma série de bombardeios em represália a um ataque do Hezbollah. Este último alegou ser uma tentativa de "vingança" pela morte do aiatolá iraniano Ali Khamenei. Desde então, os confrontos já provocaram mais de 390 mortes no Líbano, segundo dados do Ministério da Saúde local.
Além das vítimas no hotel Ramada, a agência de notícias oficial ANI reportou que doze pessoas morreram em ataques israelenses na madrugada de domingo, com bombardeios atingindo os subúrbios do sul de Beirute, reduto tradicional do Hezbollah.
Operação de resgate e histórico de conflito
Na sexta-feira anterior ao ataque ao hotel, uma operação de comando israelense tentou, sem sucesso, recuperar os restos mortais do oficial da Força Aérea Ron Arad, capturado no Líbano em 1986. A ação resultou em 41 mortos na localidade de Nabi Sheet, no leste do país. Arad ejetou-se de seu avião derrubado durante uma missão contra a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e foi capturado por grupos xiitas durante a guerra civil libanesa (1975-1990). Seu corpo nunca foi devolvido, e seu destino permanece uma preocupação de décadas em Israel, onde a repatriação de soldados desaparecidos é considerada um dever nacional.
O comandante do Exército libanês, Rodolphe Haykal, detalhou que os soldados israelenses envolvidos na operação em Nabi Sheet vestiam uniformes semelhantes aos das forças libanesas e utilizavam veículos militares parecidos com os do Hezbollah, estratégia que aumentou a complexidade e a tensão do cenário.
O bairro de Raouche, conhecido por sua concentração de hotéis, tem abrigado recentemente um número significativo de pessoas deslocadas pelos novos combates, destacando o impacto humanitário da crise. Este incidente marca uma expansão geográfica dos ataques, atingindo diretamente uma zona até então considerada relativamente segura e turística.



