Vereador de Corumbá é suspenso por 45 dias após quebrar isopor de ambulante
Vereador suspenso após quebrar isopor de ambulante em MS

Vereador de Corumbá é afastado por 45 dias após agressão a ambulante

A Câmara Municipal de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, determinou a suspensão por 45 dias do mandato do vereador Elinho Júnior (PP) por conduta considerada incompatível com o decoro parlamentar. A decisão histórica foi tomada na noite de segunda-feira (23), durante a primeira sessão ordinária do ano, que contou com plenário lotado e intensa expectativa da população local.

Votação unânime e ausência do parlamentar

Dos 15 vereadores que compõem a casa legislativa, 11 estiveram presentes na sessão e votaram unanimemente a favor do parecer da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. O vereador Elinho Júnior, alvo da punição, não compareceu à reunião decisiva. Em nota oficial, sua assessoria limitou-se a declarar que o parlamentar "vai respeitar a decisão da comissão", sem fazer quaisquer comentários adicionais sobre o caso.

Episódio que motivou a suspensão

O processo disciplinar teve origem em um incidente ocorrido em 27 de dezembro de 2025, quando Elinho Júnior se envolveu em uma violenta discussão com um vendedor ambulante em frente a uma lanchonete na Rua Delamare, no centro de Corumbá. Testemunhas relataram que a confusão começou quando a esposa do vereador questionou a permanência do ambulante em frente ao comércio da família.

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O parlamentar, então, teria:

  • Ordenado que o vendedor saísse do local imediatamente
  • Feito ameaças verbais ao trabalhador
  • Empurrado violentamente a bicicleta do ambulante
  • Quebrado o isopor utilizado para transportar salgados

Nas redes sociais, o próprio vereador admitiu posteriormente que "perdeu a cabeça e errou na forma como agir", reconhecendo publicamente sua conduta inadequada.

Fundamentação da decisão e consequências

A Comissão de Ética, ao apresentar seu relatório através da vereadora Hanna Santana em 9 de janeiro, considerou múltiplos fatores em sua análise:

  1. As provas robustas coletadas durante a investigação minuciosa
  2. A amplíssima repercussão do caso na mídia e na sociedade corumbaense
  3. O ressarcimento parcial dos danos materiais causados ao ambulante
  4. A ausência de violência física direta contra a pessoa do vendedor
  5. O caráter pedagógico e punitivo que a suspensão representa

Durante os 45 dias de afastamento, Elinho Júnior ficará completamente impedido de exercer funções legislativas e não receberá quaisquer subsídios ou verbas indenizatórias. Como a suspensão é inferior a 120 dias, conforme determina a legislação, não haverá convocação de suplente para ocupar temporariamente sua vaga.

Desdobramentos jurídicos do caso

Paralelamente ao processo ético na Câmara Municipal, a Polícia Civil já concluiu suas investigações sobre o episódio, apontando que o vereador cometeu os crimes de injúria, ameaça e dano qualificado. O caso agora encontra-se sob a responsabilidade do Ministério Público estadual e do Poder Judiciário, que determinarão os próximos passos na esfera criminal.

Este caso emblemático reacende o debate sobre o comportamento esperado dos representantes públicos e sua relação com os cidadãos, especialmente os trabalhadores informais que compõem parte significativa da economia urbana brasileira.

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