Tebet classifica declarações de Nunes como agressivas e machistas
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, formalizou sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) nesta sexta-feira (27) e não poupou críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. O motivo foi a declaração do gestor, que na semana passada a chamou de "marionete do Lula".
Durante o ato de filiação na Assembleia Legislativa de São Paulo, Tebet afirmou que Nunes foi "agressivo" e "deselegante com todas as mulheres brasileiras". A ministra, que deixou o MDB após quase 30 anos para concorrer ao Senado por São Paulo, rebateu veementemente a insinuação.
"Tá pra nascer o homem que vai me direcionar"
"Primeiro que tá pra nascer o homem que vai me direcionar e fazer de mim uma marionete", declarou Tebet. "Meu pai até que tentou. Quando ele falava com jeitinho e até atendia, por dever filial, e por meu pai ter sempre conduzido a minha vida. Mas fora isso, tá pra nascer o homem".
A ministra continuou: "É mais fácil eu atender um pedido da Tabata, da Marina [Silva], das nossas mulheres do PSB, do que de qualquer outra autoridade masculina desse país".
Crítica ao machismo na política
Tebet sugeriu que a fala de Nunes foi machista e questionou: "Se eu fosse homem, ele teria coragem de dizer isso?". Ela destacou que tem "enorme carinho" pelo prefeito, mas afirmou que "não é forma de se fazer política".
"É uma forma agressiva, inclusive, de dar exemplo para as mulheres. É com quem diz: 'não venham as mulheres quererem fazer política, porque nós aí vamos poder falar pra vocês mulheres, o que não falamos para homens'", completou.
Contexto da polêmica
A declaração de Nunes ocorreu no dia 21 de março, durante agenda na periferia de São Paulo. O prefeito criticou o fato de Tebet ter saído do Mato Grosso do Sul para concorrer ao Senado no estado.
"Nunca imaginei que uma pessoa da envergadura dela aceitaria ser marionete de Lula aqui", disse Nunes na ocasião. "Ela tem toda a vida feita no Mato Grosso do Sul. Foi prefeita lá, senadora, assim como o pai [Ramez Tebet]".
Tebet já justificou várias vezes sua ligação com São Paulo, mencionando que:
- Estudou na capital paulista
- Suas filhas estudam na cidade
- A família tem empresas no estado, ligadas ao agronegócio
"São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política", afirmou a ministra.
Filiação ao PSB com apoio de peso
O ato de filiação contou com a presença de importantes figuras políticas:
- Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)
- Ministro Márcio França (Empreendedorismo)
- Líder do PSB na Câmara Federal, Jonas Donizette
- Presidente do PSB-SP, Caio França
- Presidente do PSB paulistano, Tabata Amaral
Tabata Amaral celebrou a chegada de Tebet: "Sem a coragem e compromisso democrático de vocês dois, Alckmin e Tebet, a história teria sido outra".
Ruptura com o MDB e nova trajetória
Simone Tebet estava no MDB desde 1997, onde construiu toda sua trajetória política. Pela legenda, foi senadora e candidata à Presidência da República em 2022, ficando em terceiro lugar.
Agora, ao migrar para o PSB, ela passa a integrar o mesmo partido do vice-presidente Alckmin e se junta à chapa de Lula e Fernando Haddad para as eleições de outubro.
A ministra defendeu a manutenção de Alckmin como vice na chapa de Lula: "Eu defendo hoje que o vice-presidente continue, porque em time que está ganhando não se mexe".
Campanha enxuta e críticas ao sistema
Tebet afirmou que pretende fazer uma campanha simples: "Com tênis no pé, camiseta, conversando. Eu só sei fazer campanha olhando no olho".
Ela criticou o excesso de recursos no sistema político: "Não é de dinheiro é que nós temos que falar é exatamente o excesso do fundo partidário que está criando toda essa gama de corrupção vergonhosa e afastando os jovens da política brasileira".
Desafios femininos na política
Questionada se prefere uma mulher como vice, Tebet reconheceu as limitações: "Eu prefiro mulher em todos os lugares nos espaços de poder, mas a gente sabe que entre o ideal e o possível a gente tem que ficar com possível".
Ela ressaltou que "nada é fácil para mulher na política" e defendeu maior presença feminina nos espaços de decisão.
A polêmica entre Tebet e Nunes marca o início da campanha eleitoral para o Senado em São Paulo, evidenciando as tensões políticas e as questões de gênero que permeiam o cenário eleitoral brasileiro.



