O Senado Federal deu um passo decisivo na apuração de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) instalou oficialmente uma subcomissão parlamentar dedicada a investigar as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A iniciativa, popularmente chamada de "mini-CPI do Banco Master", surge em meio a alegações de prejuízos que podem ultrapassar a impressionante marca de R$ 12 bilhões.
Composição e poderes da comissão investigativa
A subcomissão será composta por 13 senadores e terá como coordenador o senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas. Em seu discurso durante a instalação, Calheiros foi enfático ao afirmar que o caso será tratado com a máxima seriedade. "Diante da gravidade e da magnitude dos lesados, este caso deve ser encarado de frente, doa a quem doer. Não haverá, desta Comissão do Master, nenhuma retaliação absolutamente contra ninguém. Mas saiba qualquer senador ou deputado, que, em havendo culpa, também não haverá omissão desta comissão", declarou o parlamentar.
Apesar de não ser uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) formal, a subcomissão possui poderes investigativos significativos. Entre as atribuições concedidas, estão:
- Propor a quebra de sigilos bancários ou telefônicos
- Visitar autoridades e realizar diligências
- Convocar investigados e testemunhas para prestar depoimentos
Foco nas fraudes do sistema financeiro
O senador Eduardo Braga, do MDB de Sergipe, que integrará o grupo, destacou que o objetivo principal é avançar sobre as apurações já em curso. Segundo investigações da Polícia Federal, as fraudes estão relacionadas à venda das carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília. "O grupo reforça o compromisso do Senado com a transparência e a integridade do sistema financeiro nacional, buscando assegurar que quaisquer irregularidades sejam devidamente apuradas", afirmou Braga.
Renan Calheiros também ressaltou que o trabalho da subcomissão será complementar e não competitivo em relação a uma possível CPI. "Não vamos competir com CPI, não. O nosso trabalho será meramente complementar, porque, como vocês sabem, é competência exclusiva da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal fiscalizar o sistema financeiro", explicou o coordenador.
CPMI mais ampla aguarda análise no Congresso
Paralelamente à instalação da subcomissão no Senado, um movimento mais amplo ganha força no Congresso Nacional. Na terça-feira, 3 de fevereiro, senadores protocolaram um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dedicada exclusivamente ao caso do Banco Master. A iniciativa já conta com um apoio expressivo: 42 senadores e 238 deputados federais subscreveram o documento.
Para que a CPMI seja efetivamente instalada, no entanto, é necessária a leitura do requerimento em sessão conjunta das duas Casas do Congresso. Atualmente, o documento está sob análise de Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal pelo União-AP. O banco em questão é liderado pelo empresário Daniel Vorcaro, cujas operações estão no centro das investigações.
Este movimento duplo – com uma subcomissão já em funcionamento e uma CPMI em tramitação – demonstra a pressão política e social por respostas concretas sobre as fraudes bilionárias que abalaram o mercado financeiro brasileiro. A expectativa é que as investigações avancem rapidamente, com a possibilidade de quebra de sigilos e convocações de envolvidos nos próximos dias.



