Câmara do Recife vota impeachment de João Campos após protestos de grupos favoráveis e contrários
Recife vota impeachment de João Campos após protestos na Câmara

Câmara do Recife vota impeachment de João Campos após protestos acalorados

A Câmara Municipal do Recife está realizando, nesta terça-feira (3), a primeira sessão ordinária do ano, que tem como ponto central a votação da admissibilidade de um pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB). Antes do início dos trabalhos legislativos, grupos a favor e contrários à gestão municipal promoveram protestos em frente à Casa de José Mariano, sede do Poder Legislativo municipal, localizada no Centro da cidade. O clima foi de tensão e mobilização, com manifestantes gritando palavras de ordem e se aglomerando nas filas para entrada nas galerias do Plenário.

Detalhes da sessão e procedimento de votação

Conforme a Procuradoria da casa, o requerimento de impeachment será lido pelo presidente da Câmara, vereador Romerinho Jatobá (PSB). Os vereadores, então, deverão decidir se darão início ao processo. A votação, conforme parecer da Procuradoria, deve ser nominal, exigindo votos favoráveis da maioria simples dos 37 parlamentares para que o pedido seja admitido. Se aprovado, será criada uma comissão de vereadores, sorteados para proceder com a investigação. Caso contrário, o pedido será arquivado.

Esta sessão marca a abertura dos trabalhos legislativos de 2026, iniciados na segunda-feira (2). Tradicionalmente, o prefeito participa da sessão solene, mas João Campos não compareceu à cerimônia porque cumpria agenda em Brasília, destacando a ausência em um momento crucial.

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Origem do pedido de impeachment

O pedido de impeachment foi protocolado em dezembro de 2025, justificado pela modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal. Na seleção, o advogado Marko Venício dos Santos Batista havia sido o único aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD). No entanto, ele deixou de ser nomeado em detrimento de Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e do juiz Rildo Vieira da Silva, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Lucas Vieira Silva havia feito a seleção sem optar pelas vagas afirmativas, mas pediu reinscrição no concurso após receber, dois anos depois da inscrição, diagnóstico de autismo. Três procuradoras concursadas opinaram pelo indeferimento do pedido, mas o requerimento foi acolhido pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes, que ocupa o cargo por nomeação do prefeito.

Após a repercussão do caso, que gerou críticas da sociedade e de entidades como a Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM) e a Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR), João Campos voltou atrás e nomeou o candidato inicialmente aprovado. Posteriormente, o político tornou-se alvo do processo de impeachment.

Acusações e contexto adicional

No pedido de impeachment, o vereador Eduardo Moura afirma que, ao alterar o resultado do concurso, o prefeito João Campos cometeu crime de responsabilidade e atos de improbidade administrativa. Se o pedido for aceito, as irregularidades serão investigadas no âmbito legislativo, e, nesse ínterim, o gestor deve ser afastado de suas funções.

Além disso, o pedido cita o fato de que o pai do candidato beneficiado pela mudança, juiz Rildo Vieira da Silva, atuava na 1ª Vara Cível de Carpina e foi promovido em outubro de 2025 para atuar na Vara Regional de Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital. Após a promoção, conforme o pedido, ele foi responsável por arquivar um processo referente à Operação Barriga de Aluguel, que investigava uma quadrilha suspeita de desviar recursos públicos que deveriam ser empregados em recuperação e manutenção predial, com contratos somando mais de R$ 100 milhões.

Os protestos e a votação refletem um momento de alta tensão política no Recife, com a população dividida e os olhos voltados para o desfecho deste processo que pode impactar significativamente a administração municipal.

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