PSD define candidatura presidencial após desistência de Ratinho Junior
O Partido Social Democrático (PSD) se encontra em um momento decisivo para definir seu candidato à Presidência da República nas eleições de outubro. Após a desistência formal do governador do Paraná, Ratinho Junior, que anunciou na segunda-feira (23) que concluirá seu mandato até dezembro de 2026, a legenda concentra esforços na escolha entre dois nomes: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Encontro estratégico em São Paulo
Nesta terça-feira (24), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, recebeu Ronaldo Caiado em um café da manhã realizado em São Paulo. O encontro aconteceu a portas fechadas, sem a presença da imprensa, e teve como objetivo principal discutir a candidatura presidencial do partido. Fontes internas revelam que Kassab também deve conversar privadamente com Eduardo Leite sobre o mesmo tema ainda nesta semana na capital paulista.
Kassab havia declarado anteriormente que anunciaria o nome do pré-candidato do PSD até o final de março, mantendo-se firme nesse compromisso mesmo após a desistência de Ratinho Junior. O presidente do partido citou especificamente as recentes filiações de Eduardo Leite e Ronaldo Caiado como as opções disponíveis para a disputa eleitoral.
Repercussão da desistência paranaense
A decisão de Ratinho Junior impacta significativamente o cenário político nacional. O governador paranaense era o pré-candidato do PSD com melhor desempenho nas pesquisas eleitorais. Na mais recente pesquisa Quaest, de março, ele aparecia com 7% das intenções de voto no primeiro turno, contra 4% de Ronaldo Caiado e 3% de Eduardo Leite. Em cenários de segundo turno, Ratinho Junior chegava a 33% das intenções.
Em comunicado oficial, Ratinho Junior explicou que a decisão foi tomada após profunda reflexão familiar na noite de domingo (22), sendo comunicada formalmente a Gilberto Kassab na segunda-feira seguinte. O governador afirmou que manterá seu compromisso com os paranaenses e continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil a superar desafios, destacando especialmente a importância do agronegócio na competição global.
Posicionamento dos pré-candidatos
Eduardo Leite já se adiantou publicamente, reafirmando nas redes sociais sua disposição para liderar o projeto do PSD. "Reafirmo aqui minha disposição de liderar este projeto de um centro democrático que ofereça aos brasileiros um novo caminho de união, esperança e futuro", declarou o governador gaúcho, que também elogiou a atuação de Ratinho Junior.
Ronaldo Caiado, por sua vez, participa ativamente das discussões internas do partido. O governador goiano chegou a São Paulo no início da manhã desta terça-feira especificamente para o encontro com Kassab, demonstrando seu interesse e engajamento na candidatura presidencial.
Impacto na sucessão paranaense
A desistência de Ratinho Junior também afeta diretamente a disputa pelo governo do Paraná. O governador ainda não anunciou oficialmente quem apoiará na eleição estadual, mas entre os nomes cotados internamente no PSD estão:
- Alexandre Curi, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa
- Guto Silva, secretário de Cidades
Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que Sergio Moro deve deixar o União Brasil e se filiar ao PL para disputar o governo paranaense, criando um possível embate direto com o grupo político de Ratinho Junior.
Próximos passos do PSD
O Partido Social Democrático mantém sua estratégia de apresentar uma alternativa ao cenário de polarização política que domina o debate nacional. Em comunicado oficial, Gilberto Kassab reafirmou que o PSD "se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a 'melhor via'".
A escolha final entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado deve ocorrer conforme o cronograma estabelecido, com Kassab tendo a palavra final sobre o candidato que representará o partido na corrida presidencial. Ambos os governadores são avaliados positivamente dentro da legenda, com trajetórias públicas marcadas por realizações administrativas significativas em seus respectivos estados.
O desfecho desta definição interna do PSD ocorre em um contexto eleitoral marcado por intensas negociações e realinhamentos políticos, com o partido buscando consolidar uma posição de centro que atraia eleitores cansados da tradicional polarização entre esquerda e direita no cenário político brasileiro.



