Conselho de Ética da Alesp inicia processo que pode levar à cassação de deputado Lucas Bove
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) abriu oficialmente, nesta terça-feira (24), um processo disciplinar contra o deputado estadual Lucas Bove, do Partido Liberal (PL). A medida, aprovada por unanimidade, pode resultar na cassação do mandato do parlamentar por suposta quebra de decoro parlamentar, um episódio que tem gerado intensos debates na casa.
Bate-boca com deputadas motiva abertura do processo
O caso remonta a setembro, quando Lucas Bove, conhecido por suas posições bolsonaristas, protagonizou um acalorado bate-boca com deputadas mulheres durante uma sessão plenária. As parlamentares o acusaram diretamente de praticar violência política de gênero, um tema que tem ganhado cada vez mais relevância no cenário político brasileiro.
A representação que deu origem ao processo foi apresentada pela deputada Mônica Seixas, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que esteve envolvida diretamente no episódio em questão. Antes da votação no conselho, ela fez um discurso contundente, afirmando que as reiteradas violências psicológicas perpetradas por Bove representam um exemplo claro da violência de gênero em suas primeiras escalas.
Mônica Seixas alertou que tais comportamentos podem culminar em violência física e, fatalmente, em feminicídios, destacando a gravidade das acusações.Composição do conselho e próximos passos do processo
O pedido para abertura do processo disciplinar foi aprovado por unanimidade pelos deputados que compõem o Conselho de Ética: Delegado Olim (PP), Ediane Maria (PSOL), Rafael Saraiva (União Brasil), Eduardo Nóbrega (Podemos) e Emídio de Souza (PT). Este último foi designado como relator do processo, cabendo a ele a análise inicial dos fatos.
O caso será agora minuciosamente analisado pelo conselho e, caso seja aprovado, seguirá para votação em plenário. As punições previstas, em caso de condenação, variam desde uma simples advertência até a perda definitiva do mandato, o que representaria um duro golpe na carreira política de Lucas Bove.
Histórico de acusações contra o deputado Lucas Bove
Além deste processo no âmbito da Alesp, Lucas Bove enfrenta outras questões judiciais sérias. Ele é réu em um processo de violência doméstica e psicológica, além de perseguição contra sua ex-mulher, a influenciadora digital Cíntia Chagas. A denúncia foi aceita pela Justiça em novembro do ano passado, acrescentando mais complexidade ao perfil do parlamentar.
Em uma tentativa de revidar, o deputado também fez representações contra as parlamentares Mônica Seixas e Paula Nunes (PSOL), alegando que elas divulgaram vídeos imputando crimes contra sua pessoa. No entanto, esse pedido acabou sendo arquivado pelo próprio Conselho de Ética, sem maiores consequências.
Outra representação aprovada contra Lucas Bove e Tenente Coimbra
O Conselho de Ética da Alesp ainda aprovou uma outra representação, desta vez contra Lucas Bove e o deputado Tenente Coimbra, também do PL. Os dois são acusados de terem chamado a deputada Ediane Maria de acéfala durante discussões na casa, um termo considerado ofensivo e desrespeitoso.
O placar dessa votação terminou em 3 a 2, com o voto decisivo sendo dado pelo presidente do conselho, Delegado Olim. Este processo terá a relatoria do deputado Eduardo Nóbrega, indicando que os trabalhos do colegiado seguirão em ritmo acelerado nas próximas semanas.
A reportagem tenta localizar a defesa do parlamentar Lucas Bove para obter uma posição oficial sobre os fatos, mas até o momento não houve retorno. O caso promete manter-se em evidência, refletindo tensões políticas e debates sobre ética no legislativo paulista.