Em um movimento político de grande impacto, o Partido Liberal (PL) rompeu oficialmente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e apresentou, nesta terça-feira (10), um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do DF. O objetivo é investigar minuciosamente as fraudes envolvendo o Banco Master e sua relação com o BRB (Banco de Brasília), colocando o governador como principal alvo das investigações.
Crise política se intensifica no Distrito Federal
A decisão do rompimento foi tomada pela presidente do PL no Distrito Federal, a deputada Bia Kicis, em conjunto com o deputado federal Alberto Fraga e os deputados distritais Joaquim Roriz, Thiago Manzoni e Roosevelt Vilela. Em nota, Bia Kicis afirmou: "Não dá mais para esperar. Quando aparecem indícios graves de desvio de recursos, temos obrigação de agir. CPI é instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável". Com essa medida, o PL se aproxima de anunciar sua chapa majoritária para as eleições deste ano, com planos de apoiar a vice-governadora Celina Leão (PP) para o Governo do DF, enquanto Bia Kicis e Michelle Bolsonaro concorreriam ao Senado.
Contrato com fundo investigado gera pressão
A pressão pela criação da CPI surgiu após a divulgação de um contrato entre o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha e um fundo da Reag Investimentos, empresa investigada no contexto das fraudes do Master. Documentos acessados pela Folha de S. Paulo comprovam que o escritório vendeu para o fundo Reag Legal Claims os direitos sobre o recebimento de honorários no valor de R$ 38,13 milhões, relativos a uma ação judicial representando o Sindilegis contra a União. A defesa do governador nega qualquer conhecimento sobre a negociação, alegando que ele está afastado do escritório desde 2018 e não possui informações sobre acordos realizados anos depois.
Base de apoio de Ibaneis sofre abalos
A crise entre o bolsonarismo e Ibaneis escalou na última semana, quando a Câmara Legislativa aprovou autorização para o GDF fazer um aporte no BRB para cobrir prejuízos relacionados ao Master. Na votação, três parlamentares até então governistas votaram contra o projeto: Thiago Manzoni, que agora lidera a articulação pela CPI, Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante). Manzoni, presidente da CCJ, deu parecer pela inadmissibilidade da proposta, mas seu relatório foi rejeitado pelos deputados distritais.
Oposição pede investigação do STF
Do outro lado, parlamentares de oposição, como o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), pressionam o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o contrato do escritório de Ibaneis com a Reag. Felix argumenta que o documento indica relação econômica próxima às operações financeiras entre Master e BRB, inferindo que o escritório pode ter recebido recursos de grupos privados interessados nessas operações. A Polícia Federal investiga a Reag por envolvimento em um roteiro sofisticado de fraude financeira liderado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com o rompimento, o PL reforça sua posição bolsonarista e afasta Ibaneis, que também estudava candidatura ao Senado. A situação expõe tensões políticas no DF e pode impactar as eleições deste ano, enquanto as investigações sobre a fraude do Banco Master continuam a gerar repercussões no cenário nacional.
