PF alerta governo sobre cenário crítico e evasão de policiais qualificados
A Polícia Federal (PF) apresentou recentemente ao Ministério da Justiça e Segurança Pública um plano de estruturação que destaca um cenário crítico de desvalorização remuneratória dentro da corporação. Segundo a gestão do diretor-geral Andrei Rodrigues, essa situação já está provocando a evasão de servidores altamente qualificados e uma redução expressiva no interesse por concursos públicos. A instituição defende a criação de uma gratificação por desempenho para reverter esse quadro alarmante.
Proposta legislativa e dados salariais
A proposta foi formalizada em um projeto de lei encaminhado ao ministério em 16 de janeiro de 2026. A PF argumenta que dados oficiais apontam uma crescente assimetria salarial entre a corporação e outras carreiras típicas de Estado, com impactos diretos sobre a sustentabilidade operacional. Um estudo técnico citado pela instituição demonstra que a remuneração na Polícia Federal permanece significativamente inferior à de funções estratégicas do Poder Executivo Federal, especialmente devido à falta de gratificações e bônus pagos a carreiras similares.
Para ilustrar essa disparidade, a PF forneceu uma comparação de remunerações aproximadas:
- Na Polícia Federal: Delegados e Peritos recebem de R$ 26.800 a R$ 42.000, enquanto demais cargos policiais variam de R$ 14.100 a R$ 26.000.
- Em outras carreiras: Magistratura e Ministério Público têm cerca de R$ 54.000, com verbas indenizatórias; Advocacia-Geral da União chega a R$ 50.900, incluindo benefícios; Auditores da Receita Federal e Auditores-Fiscais do Trabalho recebem aproximadamente R$ 45.000, com bônus de eficiência; e um Coronel da PM de Goiás tem cerca de R$ 48.500.
Impactos operacionais e tendência de evasão
A PF enfatiza que essa assimetria remuneratória é considerada injustificada, dado o alto grau de responsabilidade, risco institucional, complexidade das atribuições e exigência de dedicação exclusiva inerentes à atividade policial federal. O material, que está sob análise do ministro Wellington César, alerta que os efeitos da defasagem salarial já se materializam em números concretos.
Entre 2023 e 2025, 385 policiais federais pediram exoneração voluntária, em uma tendência de crescimento contínuo. A corporação classifica isso como uma perda significativa de servidores altamente qualificados, formados a elevado custo para o Estado, com impactos diretos sobre a continuidade institucional e a eficiência das atividades finalísticas da Polícia Federal.
O cenário descrito pela PF ressalta a urgência de investimentos para reter talentos e manter a operacionalidade da instituição, que desempenha um papel crucial na segurança pública e no combate ao crime organizado no Brasil.



