Parnaíba em Luto: Vereador e Comandante da GCM São Sepultados em Cerimônia Carregada de Emoção
Parnaíba sepulta vereador e comandante da GCM com honras

A atmosfera em Parnaíba nesta quinta-feira era pesada, daquelas que você sente no peito. O céu azul do Piauí parecia ironicamente sereno para o dia que era. Dois cortejos fúnebres, dois caixões cobertos com as bandeiras do Brasil e da cidade, uma multidão de rostos conhecidos e anônimos – todos unidos por uma dor que não escolhe cargo ou posição social.

De um lado, o vereador Ronaldo Brito (PL), 47 anos. Do outro, o comandante-geral da Guarda Civil Municipal, Josué Alves de Morais, 52. Dois homens públicos, duas histórias interrompidas brutalmente no último domingo, quando o helicóptero em que estavam simplesmente… desapareceu dos radares.

O último adeus começou cedo, e que horas difíceis. O corpo do vereador saiu do Instituto Médico Legal (IML) de Teresina por volta das 7h30. Imagine a cena: o silêncio quebrado apenas pelo ronco dos motores da van funerária e pelos suspiros contidos de quem acompanhava. Às 10h, era a vez do comandante Josué iniciar sua jornada final, partindo do mesmo local.

Uma Cidade que Parou para Chorar

Quando os veículos entraram em Parnaíba, por volta do meio-dia… ah, minha nossa. A recepção foi daquelas que arrancam lágrimas até de quem está só observando de longe. Viaturas da GCM, policiais militares, bombeiros – todos formando uma guarda de honra improvisada e tremendamente sincera.

O prefeito Óscar Filho (MDB) estava lá, é claro. Como não estaria? Seu rosto, normalmente aberto para sorrisos, estava fechado, marcado por uma expressão que misturava tristeza profunda e uma determinação solene para honrar seus homens. Ele acompanhou ambos os cortejos, do início ao fim – um gesto que não passou despercebido por ninguém.

“É um dia muito triste para todos nós”, disse ele, com uma voz que mal disfarçava a emoção. “Estamos de luto, chorando a partida desses dois grandes amigos e servidores públicos.”

Os Dois Cemitérios, as Duas Despedidas

O vereador Ronaldo Brito foi levado para o Cemitério Parque Nossa Senhora de Fátima. Lá, por volta das 15h, familiares, amigos, colegas de parlamento e – o que é mais significativo – simples eleitores, aquelas pessoas comuns que ele representava, se reuniram para a cerimônia religiosa. O padre tentou confortar corações, mas alguns furos na alma nem a fé mais forte consegue tapar imediatamente.

Enquanto isso, no Cemitério Municipal São José, o comandante Josué recebia suas últimas homenagens. O ambiente era diferente, mas a dor, idêntica. Colegas de farda, muitos com os olhos vermelhos e vidrados, prestavam sua continência final. A sensação era de que se ia embora muito mais que um superior; partia um irmão de armas.

E no meio de tudo isso, uma pergunta que não quer calar: como uma cidade segue em frente depois de uma perda tão dupla? Parnaíba mostrou que a resposta, pelo menos por hoje, está na união. No colo coletivo que uma comunidade oferece quando a tragédia bate à porta.

O acidente aéreo que ceifou essas duas vidas ainda está sob investigação. As causas? Bem, isso é uma conversa para outro dia. Hoje não é dia de perguntas técnicas ou de apurar culpados. Hoje é dia de lembrar. De chorar. De sepultar dois pedaços do coração de uma cidade.