Oposição critica desfile de escola de samba que homenageou Lula no Carnaval
Oposição critica desfile de escola que homenageou Lula

Oposição anuncia ações judiciais após desfile que homenageou Lula no Carnaval

Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram duramente o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista neste domingo (15) no Sambódromo do Rio de Janeiro. Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação apresentou a trajetória política e pessoal do chefe do Executivo federal, gerando reações imediatas de adversários.

Tentativas de barrar o desfile e alertas do TSE

A oposição já havia tentado impedir a apresentação através de medidas judiciais, alegando propaganda eleitoral antecipada. O pedido, no entanto, foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora a Corte tenha feito alertas sobre o risco de ilícito eleitoral durante o evento. Apesar da autorização, o clima de tensão política se manteve presente em todo o desfile.

Nesta segunda-feira, após a conclusão das apresentações, o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente Lula. Segundo Eduardo Ribeiro, presidente da sigla, houve “propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público”, uma acusação que promete ecoar nos tribunais nas próximas semanas.

Críticas de parlamentares e ameaças de novas ações

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na última disputa presidencial, não poupou críticas ao petista e afirmou que entrará com uma ação “contra os crimes do PT na Sapucaí”. Em nota oficial, o deputado federal Zucco (PL‑RS) defendeu que o carnaval não é palanque político e pediu apuração sobre possível abuso de poder, uso de recursos públicos e desrespeito à liberdade religiosa.

“A oposição não se furtará ao seu papel constitucional de fiscalização e controle. Serão analisadas, com responsabilidade jurídica, medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, incluindo a Justiça Eleitoral e demais instâncias de controle”, declarou Zucco, reforçando o tom de confronto.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou, criticando a decisão do TSE e anunciando que entrará com uma ação de improbidade administrativa no Ministério Público contra Lula e a escola de samba. “E já deixo registrado: se houver registro de candidatura de Lula para Presidente, ingressarei com AIJE por abuso de poder político e econômico”, ameaçou o parlamentar.

O senador Sergio Moro (União‑PR) foi ainda mais contundente, classificando o desfile como abuso de poder e comparando o espetáculo a regimes autoritários, em uma analogia que busca ressoar no debate público nacional.

Lula assiste ao desfile e elogia as escolas no Rio

Enquanto a oposição se mobilizava, o presidente Lula assistiu ao desfile ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no camarote oficial da prefeitura. Após o evento, ele publicou uma mensagem nas redes sociais elogiando a passagem das escolas pela Marquês de Sapucaí.

“Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção”, escreveu o presidente, demonstrando satisfação com a homenagem recebida.

Recomendações éticas e ausência de Janja no desfile

Na última sexta-feira (13), a Comissão de Ética Pública da Presidência da República divulgou uma série de recomendações sobre a participação de autoridades federais nas festas de Carnaval deste ano. As orientações foram publicadas após as pressões da oposição para barrar o desfile em homenagem a Lula.

Inicialmente, ministros do governo avaliavam participar da homenagem, mas a situação se modificou. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, chegou a participar de ensaios com a primeira-dama Janja da Silva, mas decidiu não desfilar. Janja, que também esteve nos ensaios técnicos da agremiação, optou por não subir nos carros alegóricos.

Em nota, a primeira-dama afirmou que tomou a decisão apesar de haver “segurança jurídica para isso”, com o objetivo de evitar possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula. Ela mencionou que desceu durante a concentração para apoiar a agremiação, mas depois subiu para assistir à homenagem ao lado do marido, em um gesto de cautela política.

O episódio revela como o Carnaval, tradicionalmente um espaço de celebração popular, se transformou em mais um campo de batalha política, com desdobramentos que devem seguir nos tribunais e no debate público nos próximos meses.