Câmara de Natal rejeita arquivamento e mantém processo de cassação contra vereadora Brisa Bracchi
Natal mantém processo de cassação contra vereadora Brisa Bracchi

Câmara de Natal decide pela continuidade do processo de cassação contra vereadora Brisa Bracchi

Em uma sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (27), a Câmara Municipal de Natal votou pelo não arquivamento do processo que pede a cassação da vereadora Brisa Bracchi (PT). Com essa decisão, o caso segue em análise interna na Casa Legislativa, mantendo a vereadora sob investigação.

Votação do plenário contraria parecer da comissão processante

A comissão processante criada na CMN para analisar o caso havia votado, em 7 de janeiro, pelo arquivamento do processo, por dois votos contra um. No entanto, a decisão final cabia ao plenário, que se reuniu em sessão extraordinária para deliberar sobre a continuidade da denúncia.

O resultado da votação foi:

  • Quinze votos contrários ao arquivamento
  • Nove votos favoráveis ao arquivamento
  • Três parlamentares se abstiveram
  • Dois vereadores não participaram: Anne Lagartixa, por ausência, e Luciano Nascimento, que alegou suspeição

O único membro da comissão que havia votado pela continuidade foi o vereador Daniel Rendall (Republicanos), relator do processo. Ele afirmou: "A gente entende que existe indícios de necessidade de investigação. A gente não analisou o mérito do processo, mas a gente entendeu que é necessário o prosseguimento desse processo".

Contexto do processo e acusações contra Brisa Bracchi

Este é o segundo processo contra a vereadora Brisa Bracchi. O primeiro foi arquivado em novembro do ano passado, após o prazo para a votação do plenário ser extrapolado. No mesmo dia, um novo processo foi protocolado – ambos foram abertos após denúncias do vereador Matheus Faustino (União).

A vereadora é acusada de usar R$ 18 mil de emendas impositivas para financiar um evento chamado Rolé Vermelho, que celebrou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 9 de agosto de 2025.

Após a sessão, Brisa Bracchi declarou: "Se alguns acham que estender, continuar esse processo que já se arrasta por mais de seis meses, que é um processo de violência, de tortura psicológica, de alguma forma vai me fazer sair da política, pelo contrário. Eu digo, dessa vez com mais força do que nunca, que vou continuar na política e não tenho dúvida disso".

Sessão tumultuada e ameaças de esvaziamento do auditório

A sessão foi marcada por discursos inflamados e agitação nas galerias. Houve até ameaça do presidente da CMN, Ériko Jácome, de esvaziar o auditório caso os vereadores que votavam abertamente se sentissem coagidos – o que, felizmente, não ocorreu.

A decisão votada pelos vereadores garante a continuidade da apuração na comissão processante e não no Conselho de Ética, como defendiam os que votaram a favor do arquivamento. Isso mantém o foco na investigação interna, sem transferir o caso para outra instância.