Em uma movimentação política significativa, o senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou publicamente sua desistência de uma pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte. A decisão foi tomada para que ele possa integrar e articular a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), colega no Congresso Nacional.
Mudança de rumos a pedido de Jair Bolsonaro
Rogério Marinho, ex-ministro de Jair Bolsonaro e atual líder da oposição no Senado, revelou que aceitou mudar seus planos eleitorais após um pedido direto do ex-presidente, que está preso em Brasília. Em discurso emocionado na quarta-feira (21), Marinho confessou:
"Há alguns dias eu tenho dormido mal, tenho me sentido diferente, pela mudança de rumos que a vida me leva a tomar, mas eu não posso negar um pedido do presidente Bolsonaro. Não posso".
Repercussão imediata no cenário político
Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente o apoio, classificando Marinho como "um dos principais, mais preparados e mais competentes" quadros da política brasileira. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o senador fluminense afirmou:
"Eu sei que vocês estão aí com o coração um pouco apertado pela decisão que ele tomou, mas tenho a consciência e a certeza de que ele está fazendo a escolha pelo Brasil".
Estratégia focada no eleitorado nordestino
A movimentação ocorre em um momento crucial, com Flávio Bolsonaro buscando fortalecer sua presença no Nordeste - região onde aparece com índices de intenção de voto entre 12% e 18% nas pesquisas mais recentes. Marinho era considerado a aposta natural do PL para a disputa no Rio Grande do Norte, estado atualmente governado pelo PT.
Pesquisas revelam cenário desafiador
Dados da Quaest divulgados em 14 de janeiro mostram que o desempenho de Flávio Bolsonaro na região varia conforme o cenário:
- Melhor resultado: 18% das intenções de voto quando disputa com Lula, Romeu Zema, Aldo Rebelo e Renan Santos
- Pior resultado: 12% contra 65% de Lula em simulação específica
- Cenário com todos os principais nomes da direita: 13% das intenções
Reconfiguração do cenário potiguar
Ao desistir da corrida governamental, Rogério Marinho declarou apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal. Esta movimentação representa uma reconfiguração importante no cenário político do Rio Grande do Norte, onde o PL precisará reorganizar sua estratégia eleitoral.
Trajetória política de Marinho
Eleito senador em 2022, Rogério Marinho concorreu à presidência do Senado no ano seguinte, quando perdeu para Rodrigo Pacheco (PSD) por 49 votos a 32. Considerado um quadro relevante no bolsonarismo e na oposição ao governo Lula, sua decisão de abandonar uma candidatura estadual para atuar nacionalmente demonstra a prioridade dada à articulação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Contexto histórico eleitoral
O Nordeste tem sido decisivo nas últimas eleições presidenciais, consolidando-se como principal reduto eleitoral do PT:
- Em 2018, Fernando Haddad venceu Jair Bolsonaro na região por 69,7% contra 30,3%
- Em 2022, Lula derrotou Bolsonaro no Nordeste com 69,34% dos votos, contra 30,66%
Esta histórica vantagem petista na região torna ainda mais significativa a estratégia de Flávio Bolsonaro em contar com quadros políticos locais como Rogério Marinho para ampliar sua penetração eleitoral.
O senador potiguar recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para visitar Jair Bolsonaro na Papudinha no próximo dia 4 de fevereiro, o que deve aprofundar ainda mais as articulações em torno da pré-campanha presidencial.