Presidente Lula fortalece laços com Coreia do Sul em visita oficial histórica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com honras oficiais em Seul nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, marcando sua terceira visita à Coreia do Sul com uma agenda repleta de compromissos diplomáticos. Em encontro com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung, os dois líderes participaram de cerimônia de assinatura de atos bilaterais e reforçaram publicamente a sinergia entre as nações, destacando um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada.
Ampliação do comércio bilateral e valores democráticos
Durante declaração conjunta à imprensa, Lula e Lee Jae-myung ressaltaram o comprometimento comum em ampliar o comércio bilateral, que já alcança 11 bilhões de dólares anuais, posicionando a Coreia do Sul como quarto maior parceiro comercial brasileiro na Ásia. "O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina", afirmou Lula, acrescentando que "agora damos início a um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada".
Os presidentes também reafirmaram o compromisso mútuo com valores democráticos e o fortalecimento da soberania popular, destacando paralelos históricos entre os dois países. "Nos anos oitenta, após longos períodos de luta e resistência, conquistamos a redemocratização. Quatro décadas depois, enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado", declarou Lula, enfatizando a resiliência das democracias brasileira e sul-coreana.
Diversificação das áreas de cooperação
A visita resultou na assinatura de dez atos bilaterais que abrangem múltiplas frentes de colaboração:
- Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva para facilitar comércio bilateral
- Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Saúde entre ministérios
- Acordos em agricultura, ciência, tecnologia e combate ao crime organizado transnacional
- Cooperação financeira e regulatória entre instituições governamentais
Lula destacou oportunidades específicas em setores estratégicos: "A transição energética abre novas frentes de complementariedade entre setores produtivos. As cadeias de minerais críticos guardam inúmeras oportunidades de agregação de valor". O presidente também citou cooperação em inteligência artificial, semicondutores, bioeconomia e tecnologias agroindustriais.
Elevação ao status de Parceria Estratégica
Um dos resultados mais significativos da visita foi a elevação formal das relações bilaterais ao patamar de Parceria Estratégica, acompanhada pela adoção de um Plano de Ação com iniciativas concretas para os próximos três anos. "Esse hiato é incompatível com os vínculos sociais e econômicos existentes entre nossos povos", observou Lula, referindo-se ao intervalo desde sua última visita oficial em 2010.
Lee Jae-myung ressaltou a complementaridade econômica entre os países: "Nossa cooperação também está expandindo para setores orientados para o futuro, como espaço, biofarmácia e indústrias culturais". O presidente sul-coreano também exaltou a postura brasileira na restauração do multilateralismo e no avanço de agendas climáticas globais.
Fortes laços culturais e comunitários
Além das dimensões econômicas e políticas, Lula destacou os robustos vínculos humanos entre Brasil e Coreia do Sul: "O Brasil abriga a maior comunidade coreana da América Latina, com cerca de cinquenta mil pessoas. Há mais de sessenta anos, ela nos honra com seu trabalho, cultura e gastronomia". Quase dois mil brasileiros residem atualmente na Coreia, número que continua em crescimento.
A visita incluiu cerimônias protocolares significativas, desde a deposição de oferenda floral no Cemitério Nacional de Seul até reuniões privadas e ampliadas na Casa Azul, sede presidencial sul-coreana. A primeira-dama Janja Lula da Silva acompanhou o presidente durante os compromissos oficiais, que também contaram com a presença da primeira-dama sul-coreana Kim Hea Kyung.
Esta visita consolida o reposicionamento do Brasil no cenário asiático, seguindo outras missões diplomáticas recentes à China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã. "Esse périplo não estaria completo sem a Coreia, referência mundial em tecnologia, inovação e cultura", finalizou Lula, reforçando a importância estratégica desta parceria renovada.