Greve geral na Argentina causa transtornos em aeroportos e portos
A greve geral realizada nesta quarta-feira (19) na Argentina provocou significativas alterações nas operações da Latam tanto para decolagens quanto para pousos em todo o país. Segundo o grupo aéreo, a medida foi tomada após a notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos argentinos.
Impacto nos voos e recomendações aos passageiros
A empresa informou que alguns voos poderiam operar com mudanças de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados. A recomendação da Latam é que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto. Os afetados por cancelamentos ou reprogramações têm as seguintes opções:
- Alteração sem custo para uma nova data dentro de um ano a partir da data original do voo
- Reembolso integral da reserva
Contexto da greve nacional
A greve nacional, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), começou nesta quarta-feira (19) e se estenderá até a meia-noite de quinta-feira (20). O protesto é contra a reforma trabalhista aprovada pelo Senado argentino na semana passada, que agora está sendo analisada pela Câmara dos Deputados. Entre as principais mudanças da proposta estão:
- Flexibilização das férias e jornadas de trabalho de até 12 horas
- Redução de custos trabalhistas para empregadores
- Ampliação da segurança jurídica
- Incentivo à criação de empregos formais
A expectativa do governo argentino é aprovar o texto até 1º de março. Segundo a CGT, a reforma ameaça proteções trabalhistas históricas, incluindo o direito à greve.
Paralisação nas exportações de grãos
As atividades de exportação de grãos e derivados da Argentina já estavam paralisadas desde quarta-feira devido a uma greve realizada por sindicatos marítimos contra a reforma, prevista para durar 48 horas. A greve dos trabalhadores marítimos afetou:
- Atracação e desatracação de navios
- Transporte de práticos
- Serviços a embarcações
O impacto foi particularmente sentido na área portuária de Rosário, um dos maiores centros de exportação agrícola do mundo. "O objetivo é defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos", declarou a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf).
Ampliação do movimento grevista
Além das greves anunciadas por diversas entidades, o sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo também aderiu à paralisação. Esta região, localizada ao norte de Rosário, concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país. A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja, o que amplifica o impacto econômico da greve.
A greve geral na Argentina representa um momento crucial nas relações trabalhistas do país, com efeitos que se estendem desde os aeroportos até os portos de exportação, afetando tanto passageiros quanto a economia nacional.



