Flávio Bolsonaro articula Nikolas Ferreira para governo de Minas em aliança com centrão
Flávio Bolsonaro mira Nikolas Ferreira para governo de Minas

Flávio Bolsonaro articula candidatura de Nikolas Ferreira ao governo de Minas Gerais

O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, está avaliando lançar o deputado federal Nikolas Ferreira, também do PL, como candidato ao governo do estado de Minas Gerais. A estratégia política envolve uma aliança com uma ala do centrão, especificamente com partidos como o União Brasil e o PP, que atualmente formam uma federação.

Negociações com o centrão e papel de Romeu Zema

Segundo informações de aliados próximos ao senador, Flávio Bolsonaro retomou as discussões sobre essa possibilidade nos últimos dias, levando o nome de Nikolas Ferreira para conversas recentes com dirigentes dessas legendas. As tratativas foram confirmadas à reportagem por interlocutores que acompanham as movimentações políticas.

De acordo com uma das fontes consultadas, a definição final sobre a candidatura de Nikolas dependerá, em grande parte, da posição do atual governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo. Zema é cotado para ser vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência, o que cria um cenário complexo para as articulações no estado.

As legendas do centrão enxergam Nikolas Ferreira como um favorito em uma eventual corrida ao governo mineiro, destacando seu potencial eleitoral. A estratégia, portanto, busca garantir a Flávio Bolsonaro um palanque forte em Minas Gerais, considerado um estado decisivo em eleições nacionais devido ao seu grande colégio eleitoral.

Concorrência interna e cenário político mineiro

Romeu Zema, que é pré-candidato à Presidência, tem como seu vice-governador, Matheus Simões do PSD, um pré-candidato ao governo estadual. Com essa configuração, o Partido Liberal teme ficar sem um candidato competitivo em Minas Gerais, já que o ocupante da máquina pública poderia acabar apoiando outro nome ao Planalto.

Matheus Simões, que deve assumir o governo interinamente em março, já declarou publicamente seu apoio a Zema na corrida presidencial. Em outubro, ele afirmou: “O presidente do partido, Gilberto Kassab, foi muito claro. Em Minas Gerais, o palanque é do governador Romeu Zema, é assim que nós caminharemos”.

Aliados de Nikolas Ferreira relatam que, em outras ocasiões, o deputado já manifestou não ter interesse em disputar uma eleição majoritária. Pessoas próximas a Flávio Bolsonaro contam que o parlamentar foi consultado no ano passado e recusou a possibilidade naquele momento.

Mudança de cenário e importância estratégica de Minas

No entanto, a avaliação interna no PL agora é de que a candidatura de Nikolas poderia ser necessária para assegurar um nome forte pedindo votos para o partido em Minas Gerais. O estado é visto como extremamente estratégico, pois os últimos presidentes eleitos no Brasil também venceram em Minas.

Trata-se do segundo maior colégio eleitoral do país, sem uma inclinação política clara para a esquerda ou para a direita, o que o torna um campo de batalha crucial. Segundo interlocutores, haverá uma nova tentativa de convencer Nikolas Ferreira, apontado como um nome com forte capacidade de mobilização tanto digital quanto presencial.

O partido se animou especialmente com a manifestação realizada no domingo, 25 de janeiro, em Brasília, contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nikolas Ferreira foi o deputado federal mais votado do país em 2022, com impressionantes 1,47 milhão de votos, e a expectativa no PL é que ele ultrapasse os 2 milhões de votos em 2026.

A legenda atribui esse desempenho à força do parlamentar nas redes sociais, que o transformou em um cabo eleitoral nacional durante as eleições municipais de 2024.

Posicionamento oficial e planos alternativos

Procurado pela reportagem, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho do PL-RN, disse desconhecer as negociações específicas, mas elogiou o deputado: “Não soube. Mas é um bom nome. Se ele tiver interesse, vamos respaldar, mas até agora não manifestou”.

Caso Nikolas Ferreira não aceite a candidatura, o Partido Liberal precisará construir uma candidatura competitiva em Minas Gerais por outros meios. Um dos nomes citados como alternativa é o senador Cleitinho do Republicanos, um político conservador que já teve atritos com Bolsonaro e sua família no passado.

No campo governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do PT gostaria de lançar o senador Rodrigo Pacheco do PSD ao governo mineiro. Diante da resistência do ex-presidente do Senado, o Planalto passou a trabalhar com alternativas, considerando nomes como Cleitinho, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite do MDB, e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.

Contexto da prisão de Jair Bolsonaro

A defesa de Jair Bolsonaro, que está preso no complexo da Papudinha em Brasília, solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para visitas de Nikolas Ferreira e de outros três parlamentares do PL: o deputado Sanderson do Rio Grande do Sul e os senadores Carlos Portinho e Bruno Bonetti, ambos do Rio de Janeiro.

O relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, autorizou os encontros, que ocorrerão de forma individual nos dias 18 e 21 de fevereiro. Essa movimentação ocorre paralelamente às articulações políticas em curso.

Panorama nacional de governadores

Em um contexto mais amplo, governadores de todo o país articulam renúncias, miram vagas no Senado Federal e escolhem vices para sucessão estadual. Dos atuais 27 governadores, 20 já têm seu destino político selado: 9 concorrerão à reeleição, 9 disputarão o Senado e 2 não serão candidatos.

Outros 4 tentam se viabilizar como candidatos à Presidência da República, enquanto 3 ainda não decidiram se vão disputar as eleições de 2026. Esse cenário nacional de transição política influencia diretamente as estratégias partidárias em estados-chave como Minas Gerais.