Rompimento político no Rio Grande do Norte provoca exonerações de indicados do vice-governador
A crise política entre o vice-governador Walter Alves, do MDB, e a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do PT, está gerando mudanças significativas na administração estadual. Nesta semana, pelo menos dois nomes indicados por Walter Alves foram exonerados de cargos estratégicos, em um movimento que reflete o aprofundamento do rompimento entre as lideranças.
Exonerações publicadas no Diário Oficial do Estado
Na edição desta sexta-feira, 13 de setembro, o Diário Oficial do Estado (DOE) publicou a exoneração de Alan Silveira, que ocupava a secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte. Alan Silveira havia sido indicado por Walter Alves e permaneceu no cargo por oito meses, período em que destacou resultados positivos e agradeceu tanto ao vice-governador pela indicação quanto à governadora Fátima Bezerra pela confiança e autonomia concedidas.
Em uma carta aberta divulgada nas redes sociais na quinta-feira, 12 de setembro, Alan Silveira explicou que sua saída foi orientada pelo MDB, partido ao qual é filiado. Ele enfatizou os avanços alcançados durante sua gestão e expressou gratidão pelas oportunidades oferecidas, mas a decisão partidária prevaleceu diante do contexto político atual.
Outra demissão estratégica na Caern
Além de Alan Silveira, outro indicado de Walter Alves perdeu o cargo nesta semana. Sérgio Rodrigues, que presidia a Caern - Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte desde julho de 2025, foi exonerado. Para substituí-lo, o governo anunciou George Marcos, atual diretor de Planejamento e Finanças da companhia, que assumirá as funções interinamente, acumulando responsabilidades.
Essas demissões ocorrem quase um mês após Walter Alves anunciar publicamente que não assumirá o governo do estado em caso de renúncia de Fátima Bezerra. Recentemente, o vice-governador declarou apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, do União Brasil, ao Executivo estadual, acentuando as divergências políticas.
Contexto e repercussões do rompimento
Nos bastidores, avalia-se que Walter Alves já esperava que seus indicados fossem removidos da estrutura administrativa após o rompimento com a governadora. A situação ilustra as tensões partidárias e a reconfiguração de alianças no cenário político do Rio Grande do Norte, com impactos diretos na gestão de órgãos estaduais.
As exonerações não apenas afetam a continuidade de projetos em áreas como desenvolvimento econômico e infraestrutura hídrica, mas também sinalizam uma possível escalada de conflitos dentro do governo. Especialistas apontam que tais movimentos podem influenciar a estabilidade política e a eficiência administrativa no estado, especialmente em um período eleitoral próximo.
Enquanto isso, a população aguarda novas definições sobre a composição da equipe governamental e as estratégias futuras para enfrentar os desafios estaduais, em meio a um clima de incerteza e realinhamentos políticos.