Democratas planejam protestos no discurso de Trump com branco, vítimas de Epstein e ICE
Democratas protestam no discurso de Trump com branco e vítimas

Democratas preparam protestos variados durante discurso do Estado da União de Trump

O discurso do Estado da União do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está previsto para ser marcado por uma série de protestos organizados por democratas, que incluem desde o uso simbólico de uma cor específica até a presença de pessoas impactadas pela polícia de imigração (ICE) e vítimas do financista Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual.

Uso do branco como símbolo histórico de luta

Entre as mulheres democratas, espera-se o retorno ao uso da cor branca, após muitas terem optado pelo rosa no ano anterior, em referência a protestos anteriores durante discursos de Trump. Teresa Leger Fernández, presidente do Caucus das Mulheres Democratas, explicou que o branco remete às sufragistas, que vestiam essa cor em manifestações pelo direito ao voto.

A preocupação surge em meio às pressões do governo Trump para aprovar o Save America Act, um projeto de lei que, segundo a Casa Branca, visa evitar que não cidadãos votem nos Estados Unidos. Os democratas argumentam que a legislação pode restringir o direito de voto feminino devido a barreiras burocráticas, financeiras e logísticas que afetariam desproporcionalmente as mulheres.

Elas destacam que mais de 70 milhões de mulheres nos EUA mudaram seus sobrenomes após o casamento, o que significa que seus nomes atuais não coincidem com os das certidões de nascimento. Temem que, caso a lei seja aprovada, mulheres cujos nomes não correspondam exatamente aos documentos possam ser impedidas de se registrar para votar.

"As sufragistas vestiam branco enquanto protestavam, marchavam e faziam greve de fome pelo direito ao voto, que as mulheres finalmente conquistaram em 1920. Cento e seis anos depois, Trump e os republicanos querem tirar esse direito", afirmou Fernández. "As mulheres não estão seguras na América de Trump, enquanto os custos continuam subindo, o acesso à saúde se torna cada vez mais limitado e a violência vira manchete diária."

Presença de vítimas de Epstein e críticas à política anti-imigração

Outro grupo que deve marcar presença no evento são algumas das vítimas de Jeffrey Epstein. O Partido Democrata acusa Trump de não ter divulgado todos os documentos relacionados ao caso e de acobertar homens poderosos que teriam atuado ao lado de Epstein.

A deputada Emily Randall afirmou que a presença das vítimas tem como objetivo "lutar pela democracia, lutar por transparência e responsabilidade". "Temos que garantir que a história de meninas e mulheres não será apagada. Estamos nos levantando não apenas por nós, mas por pessoas ao redor do mundo que vivem esse tipo de atrocidade."

Além disso, a política anti-imigração de Trump, uma das principais promessas de sua campanha, enfrenta desafios. Ações truculentas de agentes de imigração resultaram na morte de dois cidadãos americanos em janeiro, gerando críticas até de membros do Partido Republicano.

A deputada Ilhan Omar deve comparecer ao evento acompanhada de pessoas que tiveram a vida afetada pela presença do ICE. Em discurso recente, ela afirmou que a fala de Trump será "repleta de mentiras" e criticou uma operação em Minnesota que mobilizou milhares de agentes de imigração para o estado.

"Americanos não conseguem pagar seguros de saúde ou empréstimos, estão afogados em financiamentos estudantis, e apenas metade dos arquivos do Epstein foram divulgados. A verdade é que nosso país respira por aparelhos, e os americanos estão pagando o preço", completou Omar.

Boicote ao evento e justificativas dos democratas

Democratas também organizam um boicote ao discurso do Estado da União: ao menos 20 congressistas afirmaram que não comparecerão e planejam, simultaneamente, um protesto no National Mall. Os políticos justificam que não podem tratar a atual situação política como normal nem dar a Trump a audiência que ele busca.

O senador democrata Adam Schiff declarou: "Eu não vou comparecer ao Estado da União. Nunca perdi um, mas não podemos tratar isso como normal. Não vou dar a ele a audiência que ele anseia para as mentiras que conta."

A deputada Shontel Brown, de Ohio, também defendeu o boicote: "Não podemos tratar isso como um momento normal enquanto nossa democracia está sob ameaça. Não podemos continuar trabalhando normalmente sob um governo que acredita estar acima da lei."

Essas ações refletem a tensão política nos Estados Unidos, com democratas utilizando múltiplas estratégias para expressar oposição às políticas de Trump durante um evento tradicionalmente cerimonial.