O presidente interino da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Guilherme Delaroli (PL), assumirá interinamente o comando do governo estadual a partir da próxima segunda-feira, dia 2 de fevereiro. Esta mudança ocorre em um contexto de ausências significativas na linha de sucessão prevista pela Constituição estadual, criando uma situação considerada inédita na política fluminense.
Viagens internacionais esvaziam linha sucessória
O governador Cláudio Castro (PL) embarcou na quarta-feira, 28 de janeiro, para compromissos internacionais na Europa, com retorno previsto apenas para 7 de fevereiro. Com sua ausência, o comando do Executivo estadual foi transferido temporariamente para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargador Ricardo Couto, que é o último nome na linha sucessória conforme a atual Constituição.
No entanto, Ricardo Couto também viajará para o exterior a partir de domingo, 1º de fevereiro. O Tribunal de Justiça do Rio não divulgou o motivo específico desta viagem quando questionado pela imprensa. Com isso, a responsabilidade pelo Palácio Guanabara recai sobre Guilherme Delaroli, que ficará à frente do governo por aproximadamente uma semana, até o retorno das autoridades.
Contexto político e esvaziamento da sucessão
Este revezamento no comando ocorre em meio a um esvaziamento da linha sucessória do governo do Rio de Janeiro. O cargo de vice-governador está vago desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha assumiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Além disso, o presidente titular da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em dezembro, Bacellar ficou seis dias preso, acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargun. Esta operação resultou na prisão do ex-deputado TH Joias, suspeito de ligações com o Comando Vermelho e envolvimento em tráfico de drogas e armas, conforme investigações da Polícia Federal.
Situação inédita e implicações
A Constituição estadual estabelece que, na ausência do governador e do vice, o comando do estado cabe aos presidentes da Alerj e do TJRJ, nesta ordem. Com os impedimentos e viagens dos ocupantes desses cargos, o Rio de Janeiro enfrenta uma circunstância sem precedentes, onde um deputado assume interinamente o governo devido a uma cadeia de ausências.
Este episódio destaca a fragilidade momentânea na sucessão de poder no estado, levantando questões sobre a estabilidade administrativa e a necessidade de revisão dos mecanismos de substituição em cenários de crise ou ausências simultâneas. A atuação de Delaroli durante este período será acompanhada de perto, pois ele terá de lidar com as demandas cotidianas do Executivo fluminense em um contexto político complexo.