CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha em meio a tumulto entre parlamentares
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou sua reunião desta quinta-feira, 26 de junho, com uma intensa confusão entre deputados e senadores. O motivo do tumulto foi a votação de requerimentos, incluindo um que autoriza a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foco das investigações se desloca para familiar do presidente
A CPMI, que começou seus trabalhos em agosto do ano passado, investiga em paralelo com a Polícia Federal os desvios bilionários de aposentadorias do INSS, descobertos em abril de 2025 pela Controladoria-Geral da União e pela PF. Inicialmente, um dos focos dos parlamentares da oposição era investigar Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, entidade envolvida no escândalo.
"A única coisa que eu ouvia aqui era para a investigação não chegar no irmão do presidente Lula, Frei Chico. Ai, de repente, aparece um personagem que tava totalmente fora do radar, um cidadão chamado Fábio Luis Lula da Silva", afirmou o relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL).
Base governista contesta legalidade do requerimento
Por outro lado, a base do governo argumenta que o filho do presidente não tem relação com o objeto da investigação e tenta reverter a votação junto ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Os parlamentares governistas alegam que houve fraude processual por parte do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI.
"Não há problema em se investigar o filho do presidente, ele próprio já se pronunciou nesse sentido, o que não admitimos é que seletivamente deixemos de investigar o senhor Fabiano Zetel, sócio de Vorcaro e doador da campanha de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e sua sócia Letícia Caetano dos Reis, Ibaneis Rocha, Zema Crédito, entre outros, claramente ligados as fraudes no INSS e Banco Master", afirmou o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Presidente Lula já havia alertado o filho sobre possíveis consequências
No início de fevereiro, o presidente Lula revelou que chamou Lulinha para uma conversa no Palácio do Planalto e o alertou: "Quando saiu o nome do meu filho, chamei ele e disse: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço, mas se não tiver, se defenda".
Investigações da CPMI enfrentam obstáculos e disputas políticas
Ao longo das semanas, as sessões da comissão foram marcadas por disputas políticas entre base governista e oposição sobre quem seria responsabilizado pelo escândalo - se o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro ou o atual governo de Lula. Os interrogatórios frequentemente se transformaram em troca de acusações entre parlamentares, com poucos questionamentos direcionados às testemunhas.
Até o momento, os documentos recebidos pela comissão não apontam relação financeira entre os investigados, o que tem dificultado o avanço das investigações sobre Lulinha. Os primeiros requerimentos para ouvi-lo foram protocolados em dezembro, mas nenhum havia sido aprovado até esta quinta-feira.
Detalhes do requerimento aprovado
O requerimento aprovado nesta quinta-feira prevê não apenas a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, mas também a elaboração pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) de um Relatório de Inteligência Financeira. Este documento identifica movimentações suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro, corrupção ou financiamento ao terrorismo.
A CPMI já rastreou os valores totais movimentados entre os principais grupos fraudadores do INSS e empresas de fachada utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro das aposentadorias. Além dos desvios, a comissão também investiga possíveis empréstimos consignados ilegais realizados ao longo dos anos.
Entretanto, a comissão enfrenta dificuldades para avançar em várias frentes. Somente nesta quinta-feira conseguiu aprovar a convocação de vários presidentes de instituições financeiras suspeitas de desviar recursos. Nenhuma quebra de sigilo dessas instituições foi apresentada ou aprovada pela comissão até o momento.
