CPI de Limeira investiga contratação de kits de robótica após divergências em depoimentos
CPI de Limeira investiga kits de robótica após divergências

CPI de Limeira avança na investigação de contratação de kits de robótica

A Câmara Municipal de Limeira, no interior de São Paulo, mantém em andamento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades na licitação e contratação de kits de robótica para a Rede de Ensino do município. O caso, que envolve um gasto público de R$ 10,7 milhões, ganhou novos capítulos com uma acareação realizada na última sexta-feira (13), onde testemunhas apresentaram versões divergentes sobre os fatos.

Divergências e justificativas em acareação

Durante a reunião, a chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação na época, Amanda Dias, manteve seu depoimento anterior, afirmando que a assessora especial de Gestão Pública do ex-secretário André Luis de Francesco, Franciny Almeida Souza, foi responsável por contactar empresas para orçamentos. No entanto, Franciny corrigiu sua versão inicial, explicando que solicitou os orçamentos a pedido do ex-secretário, mas atribuiu as contradições a um lapso de memória.

"Eventuais imprecisões de memória não podem ser interpretadas como qualquer tentativa de faltar com a verdade, mas sim como consequência natural do lapso temporal e das circunstâncias profissionais e pessoais vividas naquele período", argumentou Franciny, citando problemas de saúde em 2022 que afetaram sua concentração.

Falta de comparecimento e novas convocações

O ex-secretário de Educação, André Luís de Francesco, convocado para depor na mesma sessão, não foi localizado e não compareceu. Diante disso, a CPI emitiu uma nova convocação para que ele preste esclarecimentos na reunião marcada para 27 de março, às 14h. A ausência reforça as suspeitas sobre possíveis irregularidades no processo, que já é alvo de investigação da Polícia Federal.

Contexto da investigação e valores envolvidos

A CPI foi instaurada após a Polícia Federal identificar indícios de superfaturamento em até 35 vezes nos kits de robótica fornecidos pela empresa Life Educacional. Segundo dados da PF, Limeira gastou R$ 10,7 milhões em kits, livros paradidáticos e licenças de tecnologia, enquanto outros municípios, como Sumaré e Hortolândia, também registraram compras vultosas, totalizando prejuízos milionários aos cofres públicos.

  • A operação Coffee Break, realizada em novembro de 2025, cumpriu mandados de busca na casa do ex-prefeito Mário Botion e na sede da Life Educacional, onde foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos.
  • Investigações apontam que a empresa utilizava empresas de fachada e realizava repasses indevidos a servidores públicos para garantir contratos.

Prorrogação dos trabalhos e próximos passos

Diante das contradições nos depoimentos, a CPI decidiu prorrogar seus trabalhos por mais 90 dias, pendente de apreciação em Plenário. O objetivo é aprofundar as investigações sobre as responsabilidades no processo licitatório, que incluiu oitivas de diversos servidores envolvidos na época.

Em depoimentos anteriores, funcionários como Luis Fernando Ferraz, diretor do Departamento de Suprimentos, afirmaram que os procedimentos foram realizados corretamente, mas não souberam identificar quem elaborou o termo de referência. A situação expõe falhas na gestão pública e reforça a necessidade de transparência nas contratações educacionais.

Enquanto a Life Educacional se recusou a comentar o caso, a assessoria do ex-prefeito Mário Botion defendeu a regularidade da licitação. A CPI continua a apurar os fatos, buscando esclarecer as irregularidades que podem ter causado prejuízos significativos à educação pública em Limeira.