Congresso retoma trabalhos em clima de tensão com escândalos do Master e INSS
Congresso retoma com tensão por escândalos do Master e INSS

Congresso retoma atividades em meio a clima de tensão e desconfiança generalizada

O ano eleitoral de 2026 promete aquecer os corredores do Congresso Nacional com uma pauta indigesta e casos explosivos que ameaçam tanto governistas quanto oposicionistas. Deputados e senadores retomam os trabalhos legislativos em um ambiente carregado de tensão, onde escândalos como a fraude bilionária do Banco Master e as investigações sobre roubalheira no INSS dominam as discussões.

Casos explosivos ameaçam políticos de todos os espectros

Nos próximos dias, estão previstas audiências para ouvir Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tanto na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS quanto na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Investigado por uma fraude que envolve bilhões de reais, Vorcaro mantém laços de amizade e contratuais com integrantes das cúpulas dos Três Poderes, o que torna o caso particularmente sensível.

Segundo versões que circulam em Brasília, os segredos de Vorcaro seriam capazes de fulminar carreiras políticas e criar complicações criminais para poderosos de todo o espectro ideológico, da direita à esquerda. Essa situação explica a tensão palpável no ar e as tentativas nos bastidores de abafar o caso, criando um cenário de desconfiança mútua entre parlamentares.

CPMI do INSS avança lentamente em meio a temores de chumbo trocado

O enredo do escândalo do INSS apresenta paralelos preocupantes com o caso do Banco Master. As investigações sobre o roubo a aposentados e pensionistas, que começou ainda no governo de Jair Bolsonaro e ganhou tração na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, já colocaram em situações suspeitas figuras próximas ao poder.

Até o momento, apareceram nas investigações um assessor do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, um filho do presidente Lula e, mais recentemente, uma pessoa próxima ao senador Flávio Bolsonaro. Diante da possibilidade de chumbo trocado, a CPMI do INSS tem avançado pouco, produzindo muito discurso acalorado e poucos resultados concretos, com requerimentos de convocação ainda aguardando avaliação.

Impasses políticos e questões corporativas completam cenário turbulento

Além da tensão provocada pelos esquemas de corrupção, a pauta legislativa enfrenta os habituais impasses políticos e questões corporativas. No início deste ano, os parlamentares aprovaram brechas para o pagamento de supersalários a funcionários do Congresso e do Tribunal de Contas da União, medida que foi vetada pelo presidente Lula.

O presidente aproveitou a repulsa popular à iniciativa e a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de acabar com os penduricalhos aos servidores. No entanto, o episódio não está encerrado, pois deputados e senadores podem derrubar o veto presidencial, mantendo o tema em aberto.

A luta contra os supersalários, encampada pelo ministro da Fazenda Fernanda Haddad mas não prioritária para o governo Lula, se soma a outros desafios do presidente. Entre eles estão convencer Alcolumbre e os senadores a aprovarem a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do STF e dar início à tramitação da proposta de redução da jornada de trabalho, que enfrenta resistência da oposição e do empresariado.

O sonho de todo parlamentar em ano eleitoral de trabalhar pouco em Brasília, dedicando-se principalmente a medidas de forte apelo popular, parece distante da realidade atual. Enquanto os oposicionistas esperam explorar escândalos políticos que desgastem o governo, todos se veem diante de casos que podem atingir igualmente ambos os lados, criando um cenário de cautela extrema e poucos avanços legislativos substantivos.