Senado instala comissão para investigar fraudes bilionárias do Banco Master
Comissão do Senado apura fraudes do Banco Master

Senado cria comissão para apurar escândalo bilionário do Banco Master

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal instalou, nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, uma subcomissão especial para acompanhar de perto as investigações relacionadas ao Banco Master. A instituição financeira é suspeita de envolvimento em uma das maiores fraudes da história bancária brasileira, com prejuízos que podem alcançar a impressionante cifra de R$ 17 bilhões.

Coordenação e objetivos da comissão

O colegiado, que será composto por treze membros, será coordenado pelo senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas. Em suas declarações iniciais, o parlamentar deixou claro o tom da investigação, afirmando que o caso representa a maior fraude bancária já registrada no país. "Diante da gravidade e da magnitude dos lesados, esse caso deve ser encarado de frente, doa a quem doer", declarou Calheiros, acrescentando que "não haverá, desta Comissão do Master, nenhuma retaliação absolutamente contra ninguém. Mas saiba qualquer senador ou deputado, que, em havendo culpa, também não haverá omissão".

Poderes investigativos e relação com CPIs

A instalação da comissão ocorre em um contexto de múltiplos pedidos para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito sobre o mesmo escândalo. Renan Calheiros, no entanto, enfatizou que o trabalho do novo colegiado será complementar, não competitivo. "Não vamos competir com CPI, não. O nosso trabalho será meramente complementar, porque, como vocês sabem, é competência exclusiva da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal fiscalizar o sistema financeiro", explicou o senador aos jornalistas.

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A subcomissão terá amplos poderes para conduzir suas apurações, incluindo a possibilidade de propor a quebra de sigilos bancários e telefônicos, realizar visitas a autoridades, efetuar diligências e convocar investigados e testemunhas para depor. Calheiros citou a Lei Complementar 105 de 2001 como base legal para essas ações, destacando que a quebra de sigilo, uma vez aprovada pelo plenário do Senado, poderá ser executada.

Foco nas investigações e envolvimento de autoridades

Entre os primeiros passos da comissão está uma reunião marcada para a tarde desta quarta-feira com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O senador Renan Calheiros já adiantou que questionará a demora do BC em liquidar o Banco Master, afirmando que a instituição é fundamental para a elucidação dos fatos, pois "no sistema financeiro tudo o que se faz ficam lá as digitais".

Outro ponto crucial da investigação será a tentativa de venda do Banco Master para o Banco Regional de Brasília, uma instituição pública vinculada ao governo do Distrito Federal. Calheiros levantou suspeitas sobre a transação, questionando se houve pressão do diretor de Fiscalização do Banco Central sobre o BRB para concretizar a compra de um banco que ele descreveu como "quebrado, sem ativos ou com ativos pobres".

Questionamentos ao presidente Lula e acusações de pressão

O coordenador da comissão também anunciou a intenção de enviar perguntas por escrito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma reunião que teria ocorrido com o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. "Todos que estiveram na reunião podem colaborar com esta comissão. Ao presidente da República, nós pretendemos fazer, por escrito, algumas perguntas sobre o fato. Se ele puder nos responder, ótimo. Isso, sem dúvida, vai ajudar na investigação que pretendemos fazer", afirmou Calheiros.

Além disso, o senador fez graves acusações contra lideranças parlamentares, alegando que elas pressionaram o Tribunal de Contas da União para reverter a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Ele mencionou especificamente tentativas de elevar o limite do Fundo Garantidor de Créditos para R$ 1 milhão como parte dessa campanha, um valor significativamente acima do atual teto de R$ 250 mil por investidor.

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Panorama das CPIs em tramitação

Enquanto a comissão do Senado inicia seus trabalhos, diversos pedidos de Comissões Parlamentares de Inquérito seguem em análise. Um pedido de CPMI foi protocolado na terça-feira pela oposição, com assinaturas de 42 senadores e 238 deputados federais, superando o mínimo necessário. A autorização para sua criação depende do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que ainda não se pronunciou.

Outras propostas, como a do deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB do Distrito Federal, também estão em tramitação. O PT, através de seu então líder na Câmara, Lindbergh Farias, declarou apoio às CPIs propostas por Rollemberg e pelas deputadas do PSOL, Heloísa Helena e Fernanda Melchionna, mas rejeitou a proposta apresentada pela oposição liderada pelo PL. Farias argumentou que a CPMI do PL tem um "objeto distorcido" e busca politizar o caso, em vez de focar nas fraudes bancárias.