Câmara aprova MP que cria Gás do Povo com botijão gratuito para famílias de baixa renda
Câmara aprova Gás do Povo com botijão gratuito para baixa renda

Câmara aprova MP que cria Programa Gás do Povo com botijão gratuito para famílias de baixa renda

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira, dia 2, a Medida Provisória 1313/25, que reformula o programa de auxílio para compra de gás e institui o Programa Gás do Povo, com uma modalidade de retirada gratuita do botijão em revendas cadastradas. O texto, que ainda precisa ser votado pelo Senado, substitui o antigo nome Gás dos Brasileiros e estabelece mudanças significativas no apoio às famílias vulneráveis.

Mudanças nas modalidades e critérios de acesso

Com a nova MP, a ajuda em dinheiro será gradualmente extinta até 2027, dando lugar à modalidade de gratuidade. As famílias que já recebem o auxílio na forma de botijão gratuito não poderão acessar o benefício em dinheiro, e vice-versa. Para ter direito ao botijão gratuito, é necessário estar com inscrição atualizada no CadÚnico e ter renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo, atualmente R$ 759.

O programa também introduz uma nova modalidade focada na instalação de sistemas de baixa emissão de carbono, como biodigestores, para cozinhar alimentos, promovendo sustentabilidade energética.

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Quantidade de botijões e prioridades definidas

Segundo o regulamento, a quantidade anual de botijões de 13 kg disponíveis gratuitamente será:

  • Quatro botijões por ano para famílias com duas a três pessoas.
  • Seis botijões por ano para famílias com quatro ou mais pessoas, sem menção a famílias unipessoais.

O texto aprovado, de autoria do relator deputado Hugo Leal (PSD-RJ), estabelece prioridades claras para o recebimento do auxílio. Terão preferência famílias:

  1. Atingidas por desastres ou em situação de emergência reconhecida.
  2. Com mulheres vítimas de violência doméstica sob medidas protetivas.
  3. Pertencentes a povos e comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas.
  4. Com maior número de membros.
  5. Com menor renda por pessoa.

Debates e opiniões divergentes no Plenário

Durante a sessão, o relator Hugo Leal defendeu a medida, argumentando que o benefício em dinheiro nem sempre era usado para a compra de gás, levando algumas famílias a utilizarem lenha ou materiais inadequados para cozinhar. "Tínhamos de atingir essa questão do problema energético e que o botijão chegasse às famílias", afirmou.

A deputada Dandara (PT-MG) comparou o funcionamento do programa ao do Farmácia Popular, onde o beneficiário retira o produto diretamente em centros credenciados. Já o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) criticou a dinâmica, alertando para o risco de criar um monopólio de revendas com financiamento governamental. "Estamos praticamente criando um monopólio de revenda de gás credenciado, com financiamento do governo federal, sem controle e aumentando o caos social", disse.

Outros parlamentares, como Hildo Rocha (MDB-MA), destacaram que a MP mantém ambas as modalidades – dinheiro e gratuidade – sem exclusão mútua, oferecendo flexibilidade às famílias.

Operacionalização e credenciamento de revendas

Para viabilizar a modalidade gratuita, a União poderá contratar, sem licitação, a Caixa Econômica Federal e a Dataprev para repasses e processamento de dados. As revendas credenciadas deverão afixar informações visíveis sobre o programa e canais de denúncia, sendo proibida a cobrança de taxas, exceto por serviços adicionais como entrega.

O credenciamento exigirá que os varejistas autorizem o acesso da Agência Nacional de Petróleo (ANP) a documentos fiscais, além de participarem do Sistema Nacional de Transparência de Preços de GLP. A lista de preços regionalizados será divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, com atualizações baseadas nas médias estaduais.

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Próximos passos e impacto social

O texto agora segue para análise do Senado, onde será submetido a votação. Se aprovado, o Programa Gás do Povo representará um avanço nas políticas de assistência social, garantindo acesso direto a um insumo essencial para milhões de famílias brasileiras. A medida busca não apenas aliviar o orçamento doméstico, mas também promover segurança energética e sustentabilidade ambiental, com foco nas populações mais vulneráveis.